Polarização partidária entre PT e PSDB, reflexo da disputa no plano nacional, marcou a participação dos candidatos ao governo

A sombra do passado de corrupção e a polarização partidária entre PT e PSDB, reflexo da disputa no plano nacional, marcaram a participação dos candidatos ao governo do Espírito Santo no debate realizado pela TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, nessa terça-feira (28). Renato Casagrande (PSB), Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB) e Brice Bragato (PSOL) debateram durante uma hora e logo após fizeram avaliações distintas sobre a caminhada eleitoral.


"Infelizmente a parte mais importante desta eleição aconteceu nos bastidores. Minha posição política não é por conveniência, é por convicção", afirmou o deputado federal Luiz Paulo Velloso Lucas, fazendo referência à aliança articulada pelo governador Paulo Hartung (PDMB), que apoia a chapa liderada pelo candidato do PSB.


"O debate cumpre o papel que não é de apresentar propostas, o eleitor sabe disso, porque não dá tempo. Mas o eleitor vê como o candidato se posiciona e isso compõe a sua decisão de voto", avaliou o senador Renato Casagrande.

Já Brice Bragato destacou o papel de oposição do PSOL: "A gente se propôs a apresentar uma proposta alternativa. O recado está dado e é a vez do povo refletir", disse a candidata.

Com raros momentos de exaltação, o debate seguiu a linha da campanha eleitoral no Espírito Santo, com os dois principais concorrentes, Renato Casagrande e Luiz Paulo, esforçando-se para herdar o legado de estabilidade política e econômica do atual governador, Paulo Hartung, no poder há oito anos e com boa avaliação popular. Já a candidata do PSOL apontava problemas nas áreas de segurança, meio ambiente e educação.

No entanto, temas polêmicos como a inclusão do Espírito Santo em um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que denunciava crimes no sistema penitenciário estadual, episódio que ficou nacionalmente conhecido como as "Masmorras do Espírito Santo", e a Emenda Ibsen, sobre a divisão dos royalties da exploração de petróleo no pré-sal, não foram citados em nenhum dos quatro blocos do debate.

Acusações

O candidato Luiz Paulo Velloso Lucas expôs a participação de Renato Casagrande no governo Vítor Buaiz (PT), no qual o candidato do PSB foi eleito vice-governador e exerceu o cargo de secretário de agricultura. O governo Buaiz, entre os anos de 1994 e 1998, foi marcado por greves e crise econômica, em descompasso com o Plano Real consolidado na esfera nacional pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Luiz Paulo cobrou Casagrande por sua "responsabilidade política" e acusou o governo Buaiz de ter quebrado o Espírito Santo.

Já Casagrande lembrou que foi no governo José Inácio Ferreira (PSDB) que as denúncias de corrupção no Palácio Anchieta, sede do governo, e na Assembléia Legislativa, ganharam corpo, com a ameaça de uma intervenção federal no estado. As críticas ao governo de José Inácio Ferreira foram feitas também pela candidata Brice Bragato, que comentou as investigações levadas a cabo no fim do governo Ferreira, em 2002, com "prisões em função da dilapidação dos cofres públicos que tentaram fazer sob o manto do PSDB".

Em desvantagem nas pesquisas mais recentes, Luiz Paulo definiu Casagrande como a "sucursal do projeto do PT no Espírito Santo" e se colocou contrário à "ameaça à democracia que significa o projeto do PT". Casagrande optou por não entrar no jogo do opositor e afirmar sua personalidade política. "Eu sou Renato Casagrande. As pessoas deste estado me conhecem", repetiu em mais de um momento.

Reta final

Após o debate, Luiz Paulo apostou no contato com os eleitores para crescer na reta final da disputa. "Pedir votos, pedir votos, pedir votos", resumiu o candidato ao ser questionado sobre a estratégia nos últimos dias de campanha.


"A minha posição (nas pesquisas) tem me colocado à frente, mas não vamos dizer que seja cômodo. Temos que trabalhar até o dia 3 para manter essa posição, que é destacada, na disputa", avaliou Renato Casagrande.


"Fizemos um balanço das áreas sociais e um diálogo com a população", comentou Brice Bragato, que se disse satisfeita com a campanha do PSOL.

O quarto candidato ao governo, Gilberto Caregnato não participou do debate porque seu partido, o PRTB, não tem representação no Congresso Nacional, conforme determina a lei eleitoral.

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