Mercadante deve pedir conversa com Lula e Dilma para falar sobre eventual candidatura; derrotado, Serra passa a ser cotado no PSDB

A eleição presidencial mal terminou e os principais partidos já começam a discutir internamente seus planos para 2012. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, setores do PT tentam articular uma candidatura do senador Aloizio Mercadante à prefeitura, antecipando a disputa interna que pode vir a ser travada com o grupo da senadora eleita Marta Suplicy. Do lado do PSDB, a derrota do ex-governador José Serra na corrida presidencial o colocou na lista de potenciais candidatos, o que pode interferir nos planos de outros tucanos que até então eram cotados para a vaga.

Mercadante e Marta chegaram a falar sobre 2012 antes da eleição deste ano, mas não chegaram a acordo
Agência Estado
Mercadante e Marta chegaram a falar sobre 2012 antes da eleição deste ano, mas não chegaram a acordo

Assim que Dilma retornar da viagem que fará com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reunião do G-20, Mercadante deve pedir uma conversa com o presidente e a presidenta eleita para pedir que lhe seja dada prioridade na disputa. Derrotado pelo tucano Geraldo Alckmin na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, ele ficará sem mandato a partir do ano que vem.

Mercadante tenta desde antes da eleição deste ano obter uma garantia de que terá a primeira palavra na definição das candidaturas na capital paulista em 2012. Pouco depois que Lula lhe pediu que disputasse a eleição estadual, o senador chegou a se reunir com Marta para tratar do assunto, mas ouviu da ex-prefeita que era cedo demais para promessas. Além disso, Mercadante entrou na eleição sem garantia de que será incluído no ministério da presidenta eleita Dilma Rousseff , embora seu nome agora seja citado como opção para a área técnica, como na pasta de Ciência e Tecnologia.

O rearranjo feito por Lula na montagem das candidaturas para a eleição de 2010 deu a Marta a possibilidade de se eleger para o Senado. No último dia 31, ao votar no segundo turno da eleição, ela chegou a dizer que vai cumprir o mandato de senadora até o fim, ao negar que estivesse cotada para integrar o ministério de Dilma. Ainda assim, aliados de Mercadante avaliam que ela não abrirá mão de concorrer em 2012.

Se Mercadante conseguir se viabilizar e Serra optar por concorrer, a disputa municipal paulistana poderá replicar o embate para o governo de São Paulo, em 2006. Na época, Mercadante perdeu a corrida ao Palácio dos Bandeirantes para Serra.

Internamente, o tucano tem deixado claro que não decidirá agora seu futuro político. Aliados do ex-governador cogitam, para o curto prazo, a possibilidade de ele embarcar em uma temporada de estudos no exterior ou integrar o secretariado do governador eleito Geraldo Alckmin . Esta foi a receita usada por Alckmin logo após a derrota na eleição presidencial de 2006 - primeiro ele foi para os Estados Unidos, depois virou secretário de Desenvolvimento na gestão de Serra, para então disputar a corrida estadual.

Derrotado nas urnas este ano, Serra não deve ter dificuldade para viabilizar candidatura se quiser disputar
Agência Estado
Derrotado nas urnas este ano, Serra não deve ter dificuldade para viabilizar candidatura se quiser disputar
Se optar por concorrer em 2012, Serra tende a se sobrepor sem dificuldades aos demais nomes que vinham sendo cotados até agora. O ex-secretário da Casa Civil paulista Aloysio Nunes era citado como uma opção, em função da votação expressiva que obteve na eleição para o Senado este ano. Por outro lado, Aloysio tende a sofrer resistências do grupo político ligado a Alckmin.

Entre os nomes que circulavam até então para a corrida municipal está ainda o do secretário de Cultura, Andrea Matarazzo. Apesar de também integrar a lista de ex-secretários de Serra na administração estadual, ele aproximou-se de Alckmin na dsiputa deste ano e também tem bom trânsito com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A lista de interessados inclui ainda o deputado federal José Aníbal e chegou a ter o secretário de Esportes, Walter Feldman, este último eliminado após não conseguir se reeleger deputado federal.

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