Partidos em eleição gaúcha fogem da determinação nacional

Nove candidatos concorrem ao governo gaúcho, várias alianças locais têm partidos diferentes das chapas dos presidenciáveis

Reuters |

Dominada por três fortes candidatos, a disputa pelo governo gaúcho deve exigir muito jogo de cintura dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

As alianças locais não reproduzem os acordos nacionais e há desafetos e simpatias dos dois lados, indicando que a campanha pode fugir da dinâmica das posições oficiais dos partidos.

Serra lidera as pesquisas de intenções de voto na região Sul, mas sua base no Rio Grande do Sul --quinto maior colégio eleitoral do país, com 8,1 milhões de eleitores-- está longe de oferecer um palanque firme para o ninho tucano.

A aliança com o DEM, que ajudou o partido a chegar ao governo estadual, foi inviabilizada por desentendimentos sistemáticos entre a governadora tucana Yeda Crusius e seu vice, o democrata Paulo Feijó.

Com a popularidade abalada por denúncias de corrupção, Yeda tenta a reeleição em uma coalizão com PPS e PP. Os progressistas aderiram depois de uma costura feita pessoalmente por José Serra, mas após uma tumultuada discussão pública, acabaram abrindo mão da vaga de vice para Berfran Rosado

(PPS)

Yeda também não conseguiu manter o apoio do PMDB, que preferiu a candidatura ao governo do Estado do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, integrante do partido.

Além de uma base reduzida e da instabilidade que marcou os primeiros três anos de mandato, os tucanos parecem ter problemas de sintonia que podem interferir na campanha. A governadora não fez qualquer menção à eleição presidencial na convenção que oficializou sua candidatura ao governo estadual e justificou-se dizendo ser desnecessário citar o companheiro.

Supostas resistências ao plano da reeleição e os movimentos de Serra na busca de apoio de deputados peemedebistas teriam deixado melindrados os quadros do partido.

O palanque de Serra pode estar desfalcado também porque DEM e PTB optaram por fazer uma coligação para as candidaturas proporcionais e não apresentar candidato ao governo estadual, mantendo uma posição de neutralidade.

Lideranças locais do Democratas defendiam a adesão à candidatura do PMDB e, mesmo derrotados, cogitam em embarcar na campanha de Fogaça informalmente.

PT x PMDB

A união de PT e PMDB em nome dos planos nacionais não vingou no Rio Grande do Sul, Estado em que Lula bateu o tucano Geraldo Alckmin nos dois turnos de 2006.

O ex-ministro Tarso Genro (PT) foi o primeiro a declarar-se candidato ainda em 2009, contrariando a orientação da cúpula nacional do partido que pressionava por alianças regionais que reforçassem a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência.

Além da pouca vontade por parte do PT local, lideranças peemedebistas gaúchas sustentaram, mesmo que simbolicamente, a tese da candidatura presidencial própria. Na disputa local, o PMDB também brigou para ter candidato próprio e, após um demorado processo de escolha, optou por José Fogaça como candidato ao governo, deixando o ex-governador Germano Rigotto para a disputa pelo Senado.

Na costura de alianças, Fogaça levou vantagem na conversa com o PDT. Apesar do declarado empenho dos trabalhistas na candidatura Dilma, a renúncia de Fogaça ao mandato de prefeito da capital deixou o comando municipal com o pedetista José Fortunatti, viabilizando a volta do partido à prefeitura após uma abstinência de 22 anos. Os trabalhistas ainda indicaram o deputado federal Pompeo de Mattos como vice de Fogaça.

Dividido internamente, tensionado por José Serra e pressionado pelo PDT, a direção estadual do PMDB decidiu manter uma posição de neutralidade em relação à eleição presidencial. A estratégia da "imparcialidade pró-ativa" pode ter vida curta já que parlamentares e lideranças partidárias demonstram publicamente desejo de aderir à campanha tucana.

Em resposta ao PMDB local, que lhe dá apoio no nível nacional, Dilma declarou sua preferência por Tarso. Com carreira política iniciada em Porto Alegre, ela tem seu pior desempenho eleitoral na região Sul.

"Vou apoiar a chapa que me apóia. Lamentamos que o Fogaça não apóie (a minha candidatura). Se apoiasse, eu teria uma posição menos assertiva", disse Dilma em Porto Alegre.

Tarso Genro reatou a aliança com o PSB e PCdoB e pode atrair setores do PDT com o alinhamento ao projeto de continuidade do governo federal.

No total, nove candidatos concorrem ao governo gaúcho. Tarso lidera com 37 por cento, seguido por Fogaça com 30 por cento e pela governadora Yeda que aparece com 11 por cento, segundo pesquisa Ibope de junho.

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