Para Marcos Mion, humor "humaniza os candidatos"

Apresentador sonha com programa de TV onde o político que errasse pergunta levaria torta na cara

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Marcos Mion é apresentador do “Legendários”, mais um programa de TV que mistura jornalismo e humor em suas reportagens. Tendência atual de quase todas as emissoras de televisão aberta no País. Assim como a turma do “Casseta & Planeta” (Globo), “CQC” (Band) e “Pânico na TV” (Rede TV), o programa exibido nas noites de sábado na TV Record está proibido de brincar com os candidatos à eleição devido à Lei nº 9.504, em vigor desde 1997.

Como forma de protesto a esta medida, pela primeira vez, humoristas estão se mobilizando para uma passeata, apelidada de “Humor sem Censura”, que acontecerá no próximo domingo, dia 22 de agosto, às 15 horas, na praia de Copacabana, no Rio.

Em conversa com a reportagem do iG , Mion brincou dizendo que possui um projeto de apresentar um programa nos moldes do extinto “Passa ou Repassa” - exibido no SBT na década de 90 - tendo candidatos a cargos públicos como participantes. “Mão na orelha pra responder a pergunta. Mentiu ou errou, torta na cara. Seria demais”, imagina o apresentador. Confira a entrevista com o apresentador:

Divulgação
Marcos Mion: "Ver as eleições acontecerem e não fazer parte é frustrante"
iG: Como esta restrição altera o seu trabalho?
MION:
É muito ruim sofrer qualquer tipo de censura. Vivemos no Brasil, um país onde os meios de comunicação são politicamente ativos. Ver as eleições acontecerem e não fazer parte, não dar nosso ponto de vista é frustrante.

iG: O humor pode influenciar o eleitorado na hora da escolha de seus candidatos?
MION:
Acredito que sim. O humor é a maior forma de divulgar ou conscientizar o povo sobre qualquer assunto. A maioria das pessoas prefere aprender rindo e se divertindo. Fora que os políticos brasileiros são cheios de frases e poses prontas que intimam demais, constroem uma barreira entre os políticos e o povo.

iG: Saberia apontar a consequência disso?
MION:
Isso faz com que boa parte da população nem entenda o que eles falam. Eu sou uma destas pessoas. O humor humaniza os candidatos, tornando-os acessíveis. Faz com que a identificação povo/candidato exista.

iG: Quais são os cuidados que seu programa está tomando para cumprir a lei?
MION:
Seguimos todas as orientações do departamento jurídico. Nós temos uma vontade de fazer um debate, um game-show, com os candidatos à presidência. Uma espécie de “Passa ou Repassa”. Mão na orelha pra responder a pergunta. Mentiu ou errou, torta na cara. Seria demais! (risos).

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