Para Luiz Paulo, 'chapa de Casagrande foi truculência política'

Tucano reafirma que vai dar continuidade ao governo Hartung, embora se apresente como oposição: 'ao governo federal', esclarece

Sâmia Mazzucco, enviada a Vitória |

Apesar de não ter o apoio oficial do governador Paulo Hartung, o deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) diz ser o candidato da “continuidade” da gestão peemedebista. Antigos aliados, Hartung e Vellozo abandonaram a parceria política após o governador fechar um acordo no início deste ano com o senador Renato Casagrande (PSB), até então da oposição, e lançá-lo ao governo.

Citando sua relação com o governador, o deputado diz que a coligação de seu adversário Renato Casagrande é “um saco de gato” que não tem condições de dar continuidade ao atual governo.

O tucano também diz “não ter dúvida” de que a reviravolta política que aconteceu no Estado foi comandada pela cúpula nacional dos partidos envolvidos e que Hartung só aceitou a aliança com o PT porque não queria ter o partido “atrapalhando o governo dele”.

Assim como seu principal adversário na disputa, Luiz Paulo elege a segurança pública como a principal questão a ser resolvida no Estado e vê a divisão igualitária dos royalties do petróleo como uma “maluquice”. 

iG - O senhor aparece em segundo nas pesquisas de intenção de voto, com uma diferença grande em relação ao primeiro colocado. Como reverter a situação?

Luiz Paulo - A pesquisa de intenção estimulada, que é a que dá essa diferença, não é a principal informação. Hoje quase metade (dos eleitores) não sabe direito quem são os candidatos. A intenção estimulada reflete a manobra que foi feita com a junção de 15 partidos, com todos os prefeitos da região metropolitana e com o poder dos governos federal e estadual. O processo foi muito tumultuado. Tinham três candidatos, razoavelmente empatados. Os dois primeiros (Casagrande e Ferraço) se juntaram, à força, contra o terceiro, que sou eu. Só consegui (sair candidato) porque tive alguns apoios decisivos, primeiro do meu partido, depois do PTB do Roberto Jefferson, da Rita Camata (candidata ao Senado), do Max da Mata, que é meu vice, presidente do DEM, que forças tradicionais da política capixaba para se aliar com o PSDB.

iG - O senhor acredita que o apoio governista à candidatura do senador Renato Casagrande o prejudicou?

Luiz Paulo - Tinham três candidatos, o líder nas pesquisas era o vice-governador (Ferraço), que a máquina toda com ele, os prefeitos, os partidos. O senador (Casagrande), com mais quatro anos pela frente, queria disputar também, mas estava isolado. O PSB entrega a cabeça do Ciro Gomes para facilitar a vida da Dilma, em troca cortam a cabeça do vice-governador aqui para facilitar a vida dele. Uma manobra de truculência política, forçando uma junção de forças que o sistema de dois turnos não precisa que seja dessa maneira. Isso, evidentemente, foi o fator principal que trouxe enorme confusão ao eleitorado. A maioria ainda está tentando entender o que aconteceu. Se foi o (presidente) Lula que mandou fazer isso, se não foi, se foi o governador, se não foi ele.

iG – O senhor acredita, então, que toda essa reviravolta foi comandada pelas cúpulas nacionais dos partidos envolvidos na coligação adversária?

Luiz Paulo - Eu não tenho dúvida, quem não sabe é vossa excelência, o distinto público, que não está acompanhando os bastidores do dia a dia de campanha. O que aconteceu foi isso. O PSB entregou a cabeça do Ciro Gomes e pediu compensações estaduais aqui também. O PMDB daqui entendeu que cortando a cabeça do Ferraço, e colocando ele para o Senado, já que o próprio governador não seria candidato a mais nada, faria uma chapa imbatível.

iG - O senhor já foi parceiro do atual governador Paulo Hartung, que hoje apoia a candidatura de Casagrande. Como é a relação de vocês hoje?

Luiz Paulo - É uma relação cordial, temos mais de 30 anos de amizade, desde a época do movimento estudantil. Não é a primeira vez que tenho divergência política com o Paulo. É uma coisa que acontece com quem faz política. Nossa divergência central é que atitude tomar diante do PT, nunca aceitei composição com o PT, a não ser no plano municipal.

iG – Por quê?

Luiz Paulo - Aqui no Espírito Santo, em sete municípios o PSDB tem coligação com o PT. Às vezes enfrentam uma política muito centrada em torno de caciques se revezando. Em Viana, na região metropolitana (de Vitória), na última legislatura a prefeita era do PSDB e o vice do PT. Na cidade do Casagrande, Castelo, o prefeito é do PT, o vice do PSDB, e o PSB do Casagrande é oposição ferrenha ao PT e aliado ao PSDB. No plano municipal isso acontece. Quis apoiar o prefeito de Cariacica, acho que faz um bom governo, é um cara correto. Depois que Lula virou presidente, o Paulo Hartung passou (a apoiar PT). Ele, que era tucano histórico, foi vice-presidente nacional do PSDB, deputado federal, senador e prefeito, diretor do BNDES, amigo pessoal do Serra. Conheço muito bem as ideias e o pensamento político do Paulo Hartung. Não tem nada a ver com o PT, nada, nada, nada. Ele só não queria ter o PT na oposição, atrapalhando o governo dele.

iG – Vocês conversam ainda?

Luiz Paulo - Claro, lógico.

iG - Quais as principais diferenças que o senhor vê entre o senhor e seu principal concorrente, o senador Renato Casagrande?

Luiz Paulo - A principal diferença é que já fui testado e aprovado como sucessor de Paulo Hartung (o deputado assumiu a prefeitura de Vitória em 1997, após gestão de Hartung). Participei da gestão desse projeto que Paulo termina (o segundo mandato). Por isso que eu disse que a continuidade desse projeto é assegurada com a minha eleição e não é assegurada com a eleição do Casagrande. Tenho a mais absoluta convicção de que os valores e conceitos que nos unem, eu e Max da Mata, são os mesmos da administração Paulo Hartung: de equilíbrio fiscal, planejamento estratégico, equipe profissionalizada.

iG – Mesmo assim o senhor faz críticas à gestão de Hartung...

Luiz Paulo - Acho que o atual governo fez muito mais do que se imaginava que ele faria. Assumiu o Estado com a folha atrasada. Os governadores estavam seguidamente desmoralizados, porque quem mandava no Estado era a Assembleia, dominada por deputados corruptos, com influência no Judiciário. Existia um verdadeiro niilismo na sociedade, um descrédito, ninguém acreditava que fosse possível ter governo, liderança. O Paulo resgatou isso tudo. O governo resgatou a capacidade de investimento, o Estado voltou a investir em estradas, escolas.

iG - O que o senhor pensa sobre os boatos de que aliados do governador estariam fazendo campanha ao Senado para Rita Camata, da sua coligação, e não para Magno Malta?

Luiz Paulo - Acho ótimo, quero ver Rita Camata eleita.

iG – E são verdadeiros os boatos?

Luiz Paulo - Aí não posso dizer. Tem que perguntar para eles. Eu não falei nada, estou dizendo que quem quiser fazer campanha para Rita Camata acho excelente, se for verdade o que você me perguntou. Eu só vou votar nela, não vou dar meu segundo voto para quem quer que seja.

iG – Qual a primeira decisão o senhor pretende adotar caso seja eleito?

Luiz Paulo - O principal problema do próximo governador é enfrentar a segurança pública, não há dúvida disso. Mas tem medidas em todas as áreas, não dá para fazer uma só. Vamos descentralizar a gestão das 12 regiões, orçamento e investimento. Teremos que, possivelmente, convocar extraordinariamente a Assembleia Legislativa para poder votar medidas iniciais de governo, certamente mexer em organograma.

iG - Que proposta de seu programa de governo o senhor considera impossível concluir em quatro anos de mandato?

Luiz Paulo - Impossível não, mas tem coisas que serão contínuas. O Terra Rural, por exemplo, é um projeto de urbanização das agrovilas do Estado, dos patrimônios e distritos. Ele certamente não é um projeto com começo, meio e fim. Hoje ele está mais concebido nos seus conceitos centrais. (Max da Mata, o vice, que acompanha a entrevista, interrompe: “Só com relação a primeiro de janeiro, para complementar a resposta. Assumir o controle das instituições e reunir as instituições com relação à questão da segurança pública, acho que isso é o que temos colocado de forma bem relevante.)

iG – O senhor falou de seu vice, Max da Mata. Ele tem como experiência apenas mandatos como vereador. Por esse motivo, é visto como inexperiente para o cargo ao qual concorre. Como convencer os eleitores de que ele é preparado para o cargo?

Luiz Paulo - Os eleitores não estão preocupados com isso não, quem está falando isso é quem quer denegrir a nossa chapa. Vão inventar defeito onde não existe. O Max da Mata é vereador de Vitória, presidente do DEM, formado em Direito e Administração. Foi subsecretário (de Administração da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos) do Ricardo de Oliveira três anos e meio. Não troco esse tempo de experiência dele por 50 anos trabalhando com o PT. Além do que, é insubstituível a ousadia da juventude, a oportunidade dele fazer esse link com o jovem e a inovação. Talento e afinidade de valores foi o fator decisivo. A gente pensa pelo mesmo viés ideológico, filosófico de política, papel do Estado.

    Leia tudo sobre: eleições esluiz paulocasagrandemax da mata

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG