Para evitar riscos, PT e PSDB optaram por veteranos em São Paulo

Da mesma geração, Mercadante e Alckmin são velhos conhecidos no Estado considerado peça-chave na disputa nacional

Matheus Pichonelli e Piero Locatelli, iG São Paulo |

As eleições de 2010 no maior colégio eleitoral do País não permitiram riscos aos dois principais partidos brasileiros. De olho na disputa para a Presidência, PT e PSDB escalaram em São Paulo dois de seus nomes mais conhecidos para disputar o governo de um Estado considerado peça-chave na disputa nacional. A largada oficial para a campanha será dada nesta terça-feira (6). Presentes em praticamente todas as eleições desde o início dos anos 1990, o tucano Geraldo Alckmin , 57, e o petista Aloizio Mercadante , 56, serão novamente candidatos neste ano. O tucano foi eleito governador em 2002 e o petista já tentou o cargo em 2006.

AE
Alckmin e Mercadante, adversários em São Paulo, dividem arquibancada durante jogo do Santos

Esta será a décima eleição já enfrentada por Alckmin. Desde sua primeira disputa nas urnas, pelo MDB em 1972, já foi vereador e prefeito em Pindamonhangaba, deputado estadual, deputado federal e governador de São Paulo. Alckmin chega à corrida estadual deste ano depois de sofrer duas derrotas seguidas nas urnas – ao Palácio do Planalto, em 2006, e à Prefeitura de São Paulo, em 2008.

Tiago Queiroz/AE
Em campanha à Prefeitura, Alckmin toma café no centro de São Paulo em 2008
Na disputa à Presidência, o tucano obteve menos votos no segundo turno do que havia conseguido no primeiro. Já na eleição de 2008, acabou eliminado ainda no primeiro turno, após o hoje presidenciável José Serra (PSDB) optar por endossar a candidatura à reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM), seu afilhado político.

Alckmin ganhou desafetos tanto no PSDB como no DEM após a tentativa frustrada de se eleger. Mas, assim como o PT, o PSDB não quis se arriscar.

A legenda ensaiou lançar  o atual candidato ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Apesar de ser um veterano na política, ele, no entanto, era pouco conhecido pelo eleitorado. Chefe da Casa Civil do governo Serra, Aloysio não recebia nem 5% das intenções dos votos nas pesquisas. Já Alckmin, um ano antes das eleições, chegava a quase 50% nas sondagens do partido. Em março deste ano, Aloysio desistiu da candidatura, a pedido de Serra.

O caminho dos tucanos em São Paulo é inverso ao que foi tomado pelos colegas mineiros. No segundo maior colégio eleitoral do País, o PSDB lançou Antonio Anastasia, vice-governador de Aécio Neves e herdeiro do cargo. Em agosto do ano passado, Anastasia também não passava dos 5% dos votos nas pesquisas. Hoje, já passa dos 20% e pode ir ao segundo turno contra Hélio Costa (PMDB).

Conhecimento e baixa rejeição

Assim como Alckmin, Mercadante, que já disputou sete eleições desde 1989, também não era unanimidade dentro do PT. Jogava contra ele a derrota na eleição estadual de 2006, marcada pelo episódio da tentativa de compra de um dossiê contra tucanos – caso que ficou conhecido como escândalo dos "aloprados”. Diante do desgaste de seus líderes tradicionais no Estado, o PT cogitou novos nomes para a vaga.  Ensaiou até um apoio a uma candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). No fim, contou o nível de conhecimento e a baixa rejeição do eleitorado em relação ao nome do senador.

Agência Brasil
Mercadante em audiência no Senado
Desde maio do ano passado, o PT tinha em mãos pesquisas qualitativas que indicavam o nome de Mercadante como o mais viável para as eleições. Os argumentos eram que ele não possuía a alta rejeição da ex-prefeita Marta Suplicy, e era bem visto no interior e na capital.

A impressão de que não queria ocupar cargos executivos, segundo petistas, foi um dos poucos aspectos negativos sobre ele identificados no levantamento.

Já Marta tinha imagem mais polêmica e despertava amores e ódios entre diferentes eleitores – era vista como guerreira e determinada por alguns, e como impulsiva e “barraqueira” por outros.

Na prática, entretanto, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que decidiu quem seria o candidato ao governo paulista. Setores do PT no Estado trabalhavam ativamente para tentar emplacar o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na vaga. Lula preferia o endosso a Ciro Gomes, para assegurar o empenho do PSB na campanha presidencial petista. Mas a recusa do deputado em aceitar o convite o levou o presidente a escalar Mercadante como plano B. A conversa aconteceu em uma casa no Lago Sul, em Brasília, quando o PT gravava vídeos para a comemoração de seus 30 anos. "Se o Ciro não quiser, acho que você tem que ser o candidato", disse Lula ao senador.

Veredicto final

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Aloysio Nunes Ferreira, preterido na disputa ao governo paulista
As pesquisas internas do PT indicavam, por exemplo, que a maioria das pessoas estava disposta a votar em políticos conhecidos, embora parcela significativa dos eleitores (30%) se queixasse de um certo cansaço em torno das mesmas lideranças políticas no Estado – o que indicava uma abertura para outros nomes.

Não por acaso, lideranças como Emidio de Souza, prefeito de Osasco (SP), e Fernando Hadadd, ministro da Educação, foram analisados durante o processo de escolha. Mas pesava contra os novatos o fato de não contarem com imagem expressiva para fazer frente a Alckmin, de longe o mais conhecido dos eleitores – bem diferente de Aloysio Nunes. 

“Naquela fase, discutimos os nomes internamente. Vários foram lançados até chegar ao mais adequado. É um processo normal, bom”, diz Emidio. Hoje coordenador da campanha de Mercadante, ele afirma que pesou sobre o partido o fato de Mercadante ter experiência na disputa – será a primeira vez que o partido repete o nome do mesmo candidato para governador.

Ele afirma que a chapa está mais forte e que o partido, com aliança mais ampla, está mais unido neste ano – em 2006, o senador teve que disputar prévias do partido com Marta antes de ser oficializado candidato. A grande aposta dos petistas, no entanto, é que, assim como a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, Mercadante “surfe” na popularidade do presidente Lula.

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