Para especialistas, Dilma não empolgou e Serra não surpreendeu

Cientistas políticos apontaram que petista gaguejou e tucano não soube tirar vantagem da inexperiência da rival

Alessandra Oggioni e Piero Locatelli, iG São Paulo |

Para os cientistas políticos ouvidos pelo iG , o debate realizado na noite desta quinta-feira pela TV Bandeirantes foi “morno”. A performance da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), foi satisfatória, mas não empolgou. Já José Serra (PSDB), na visão dos especialistas, não conseguiu tirar vantagem da inexperiência da petista.

“A Dilma não foi mal. Ela gaguejou, mas para quem não tem experiência ela foi bem. Há de se considerar que é o primeiro debate dela”, amenizou Murillo de Aragão, cientista político e sócio da Arko Advice. Sobre Serra, o especialista diz que, apesar da experiência em várias eleições, ele não foi tão bem a ponto de estabelecer uma vantagem.

Humberto Dantas, cientista político da Universidade de São Paulo (USP) acredita que Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) foi o candidato com o melhor desempenho. “O Plínio mostrou segurança, mas mostrou ideias que não têm nada a ver com as da população”.

Segundo o cientista político da Unicamp, Roberto Romano, Dilma respondeu razoavelmente às perguntas. Disse ainda acreditar que a petista já teve um desempenho pior em outras ocasiões. “Desde que começou a campanha, ela está mais desenvolta e teve boa presença física e o tom não foi arrogante e tecnocrata”, diz Romano.

De acordo com os especialistas, o momento de maior embate foi quando Serra questionou a política do governo Lula com relação às Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais(APAEs) e às condições dos portos brasileiros. “O Ministério da Educação, no governo Lula, quis proibir que as Apaes dessem aulas e cortou o transporte para as crianças excepcionais. As APAEs estão sendo perseguidas”, afirmou Serra.

Os especialistas também observaram que Dilma citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poucas vezes. “Era natural que não citasse tanto o Lula. Ela falou em 'nosso governo', ela se incorporou dentro do governo Lula. Ela não o usou como muleta, nisso ela foi bem”, argumentou Aragão.

Já a candidata Marina Silva (PV) apresentou bem suas propostas, na visão de Cássio França, cientista político e diretor de projetos da fundação Friedrich Ebert. “Marina foi mais articulada, conseguiu colocar suas ideias de maneira mais clara. Mas talvez isso não afete muito a parcela do eleitorado, devido ao nível de complexidade do seu debate”, diz França.

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