Para empresários, Marina ataca perfil gerencial de Serra e Dilma

A candidata do PV negou que esteja fazendo discurso de conveniência para atrair doadores, apesar da presença de seu tesoureiro

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Em busca de doadores de campanha, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva , almoçou nesta quarta-feira (11) com empresários da Câmara Americana de Comércio (Amcham), que também engloba empresas da China, Holanda e Alemanha. Dividindo a mesa com representantes de companhias como DuPont Brasil e Odebrecht, a senadora reiterou a necessidade de uma visão estratégica para o próximo presidente, voltando a atacar o perfil gerencial dos adversários Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Agência Estado
Marina Silva em almoço-encontro com os conselheiros da Câmara Americana de Comércio, na capital paulista
“O Brasil é melhor que os currículos. Quem tem visão estratégica consegue reunir os melhores gerentes em torno do seu governo. O século 21 precisa de um novo tipo de liderança”, afirmou a candidata. “Se nós não entendermos que os problemas são multicêntricos e que vai exigir lideranças multicêntricas, nós vamos continuar achando que existe um salvador da pátria. Não existe um Messias para nos salvar”, enfatizou a candidata.

Como se espera de um encontro com empresários, os assuntos de economia e reforma tributária dominaram os discursos. A candidata comemorou a atual situação do País, mas defendeu que os ganhos de inclusão social do governo e a estabilidade econômica sejam revertidos para a sociedade. “O presidente Lula e o Fernando Henrique tiveram visão estratégica, cada um ao seu modo. Nós não podemos fazer com que essas conquistas sejam de um partido ou de um governo. Sem negar a autoria, nós temos que assumir como ganho nosso, ganho da sociedade”, afirmou.

Além de citar Lula e FHC, Marina também lembrou de Juscelino Kubitschek ao falar de educação e gargalos de mão de obra qualificada. Segundo a presidenciável, é preciso fazer uma reforma do ensino no Brasil, que dialogue com as necessidades do mercado. “Se Juscelino fez o esforço de industrialização no País, precisamos fazer um esforço para a educação que o Brasil precisa, para gerarmos oportunidade de igualdade para todos”, enfatizou.

Apesar da fala centrada nas questões pertinentes ao universo empresarial, Marina Silva negou que esteja fazendo discurso de conveniência para atrair doadores de campanha. “Tudo que eu disse na mesa também disse no púlpito, com aquela lógica de dizer sempre no privado aquilo que se pode gritar nos telhados”, rebateu a candidata.

Mesmo com a negativa da candidata, chamou a atenção dos jornalistas a presença do ex-presidente do Citibank, Álvaro de Souza, que hoje trabalha como auxiliador na arrecadação da campanha de Marina. Ele é um dos responsáveis pelas frentes de contribuição de fundos para a campanha, que inclui a arrecadação pela web e o corpo-a-corpo feito pelo vice, Guilherme Leal, outro responsável por passar o chapéu entre os empresários amigos.

Leal, aliás, também esteve no evento desta quarta-feira, completando a mesa encabeçada por Marina e o candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Young.

    Leia tudo sobre: Eleições MarinaAmchamdoadores

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG