PT articula encontro entre presidenciável e candidato do PP, considerado fiel da balança nas eleições para governador em SP

Com menos de 10% das intenções de voto, o candidato Celso Russomanno (PP) está se tornando o fiel da balança nas eleições em São Paulo. O desempenho do deputado federal nas urnas, terceiro colocado nas pesquisas no Estado – atrás apenas de Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT) – pode ser fundamental para levar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes para o segundo turno.

Sabendo disso, dirigentes do PT já articulam um encontro entre ele e a candidata do partido à Presidência, Dilma Rousseff. O objetivo do encontro é evitar o assédio do PSDB a Russomanno, que tem, segundo o Vox Populi, 7% das intenções de voto, contra 54% de Alckmin e 20% de Mercadante. Dilma já esteve em São Paulo para um agenda conjunta com outro concorrente dos petistas na eleição paulista: Paulo Skaf, do PSB, partido da base aliada.

“Com o Russomanno na disputa ainda temos uma chance, remota, de levar para o primeiro turno. Sem ele não temos chance alguma”, diz um dirigente do partido.

Na última semana chegaram ao PT rumores de que os tucanos estariam buscando uma aproximação com o candidato do PP, oferecendo participação em um possível governo Alckmin caso ele desistisse da disputa. “Temos que atravessar essa história e colocar a Dilma para falar diretamente com ele”, diz o dirigente petista.

O encontro ainda não tem data nem local. Russomanno foi procurado para falar sobre o assunto, mas não ligou de volta.

Para Emídio de Souza (PT), prefeito de Osasco e coordenador da campanha de Mercadante, é “natural” que a candidata a presidente do PT converse com um aliado do partido. “Ela precisa reunir o maior número de apoio. E é natural que conversem”, disse.

Segundo ele, o interesse do PSDB em tentar tirar Russomanno do páreo é sinal de “desespero” por parte dos tucanos quanto a um possível segundo turno em São Paulo.

“O Russomano está fazendo uma campanha limpa, honesta e crítica ao PSDB. Tem falado dos pedágios, dos problemas da saúde. Isso (assédio do PSDB) não faz o menor sentido. O PSDB não tem autoridade para pedir para retirar uma candidatura”.

Emídio afirma ainda que Russomanno não tem dado sinais de que esteja disposto a desistir da campanha. “Ele é uma força importante da eleição”, diz o coordenador, que minimizou o fato de o candidato ter oscilado para baixo nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Publicamente, Alckmin diz que ainda não é tempo de fazer esse tipo de movimentação. No primeiro debate entre os candidatos, promovido pela TV Bandeirantes, o tucano foi alvo das principais críticas feitas tanto por Mercadante quanto por Russomanno. A certa altura do evento, Alckmin reagiu: "Há uma aliança entre o PT e o malufismo. Até as gravatas são iguais".

Um dirigente tucano ouvido pelo iG diz que Russomanno foi procurado antes do início da disputa para compor chapa com o PSDB, mas recusou. Agora, a avaliação é de que ficaria difícil compor um apoio no segundo turno devido aos ataques que ele vem tecendo ao governo de São Paulo durante debates e discursos.

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