Painel reúne Tarso, Fogaça e Yeda no Rio Grande do Sul

Sem debate direto, favoritos ao Piratini participaram de encontro morno na Federasul, em Porto Alegre

Alexandre Haubrich, iG Porto Alegre |

Conquistas do governo Lula, estabilidade política e déficit zero foram os assuntos tratados com mais carinho por Tarso Genro (PT), José Fogaça (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) no painel que reuniu os três candidatos ao Piratini na Federasul, em Porto Alegre. Tanto nos primeiros cinco minutos a que cada um teve direito na abertura quanto nas respostas às questões formuladas pelos promotores do evento e nas falas finais, os candidatos procuraram brechas para falar de seus temas preferidos nesse início de campanha.

Desde o início, Tarso afirmou que sua candidatura é alinhada com o governo Lula, destacou a saúde financeira do país e sua participação como ministro. Uma das primeiras propostas apresentadas pelo petista, aliás, foi nesse caminho: a criação de conselhos que busque consensos entre os interessados em cada pauta, como existe no governo federal.

No começo de sua fala, como no fim, Fogaça destacou a importância da aliança com o PDT, que tem enfrentado turbulências com a dissidência de muitos pedesistas, entre eles o ex-governador Alceu Collares. Falou em compromisso com a estabilidade política, tentando colocar-se em um meio termo entre PT e PSDB. Como Yeda fez a seguir, o candidato do PMDB também falou em descentralização dos investimentos.

A atual governadora enalteceu o déficit zero alcançado por seu governo, e explicou que a saúde financeira precisa ser cuidada diariamente. Exaltou também os acordos com o Banco Mundial, afirmando que a reestruturação da dívida possibilitada por esses acordos trouxe dinheiro para investimentos.

Nas respostas às questões formuladas pelos organizadores, Yeda defendeu as parcerias público-privadas em rodovias e hidrovias e falou novamente dos cortes de gastos realizados por seu governo. Tarso defendeu a diminuição da carga tributária para pequenas empresas e defendeu o mínimo regional, criticado pela Federasul como causador da informalidade. Afirmou que são os altos impostos os responsáveis. Além disso, o petista criticou indiretamente Yeda Crusius, ao dizer que os ajustes financeiros não podem ser feitos com corte de investimentos. Fogaça, por sua vez, comprometeu-se a aumentar o efetivo policial e disse que o principal problema da segurança pública está no sistema prisional. Ao defender o ajuste fiscal e o controle de gastos, citou Germano Rigotto, último governador do PMDB, como exemplo positivo.

Apenas nas considerações finais houve um prenúncio de debate. Após Fogaça falar novamente em estabilidade política e na aliança com o PDT, Tarso prometeu dar continuidade às boas ações dos governos anteriores, e elogiou Rigotto, atribuindo a ele a ideia da renegociação da dívida com o Banco Mundial (Bird), tão exaltada por Yeda. A candidata do PSDB, sem citar o nome do adversário, afirmou não ter problemas com a questão da autoria de propostas. Sem a possibilidade de debate efetivo, no entanto, devido à forma como foi organizado o painel, o assunto parou por aí.

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