PAC das Favelas rende supremacia de votos para Dilma em áreas beneficiadas

Nos locais onde governo investe R$ 1,8 bilhão, candidata do PT superou suas médias no país, no Rio e até votação de Lula em 2006

Raphael Gomide e Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

AE
Na Rocinha, Dilma Rousseff cresceu três pontos em relação à votação de Lula em 2006, após o PAC

O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) das Favelas, no Rio, rendeu dividendos eleitorais para a candidata do governo federal à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), nas áreas beneficiadas pelo programa, no primeiro turno. Como José Serra ficou em terceiro lugar em três dessas áreas, ela também deve ter vantagem no segundo turno. 

Dilma venceu com grande vantagem em três das quatro regiões – perdeu apenas na área do complexo Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, onde o investimento é o menor do programa. Nas zonas eleitorais das favelas onde teve êxito, a candidata petista teve percentual de votos bem superior ao obtido no Estado do Rio e na média nacional. 

Dilma obteve 55,8% dos votos, na média, nessas zonas eleitorais levantadas pelo iG – 12 pontos percentuais acima dos 43,8% conseguidos no Estado do Rio e nove pontos a mais que os 46,9% obtidos no país.

André Durão
Em Manguinhos, onde o PAC investe R$ 661,8 milhões, Dilma obteve mais de 55% dos votos
O governo federal, com contrapartidas do Estado e da Prefeitura do Rio, prevê investir cerca de R$ 1,84 bilhão em obras de urbanização e infraestrutura nas favelas. O Complexo do Alemão é o principal beneficiado, com R$ 832,9 milhões programados. Manguinhos deve receber R$ 661,8 milhões; Rocinha, R$ 272 milhões, e Pavão-Pavãozinho/Cantagalo (R$ 71,8 milhões). O Planalto promete concluir as obras no primeiro semestre de 2011. 

A melhor votação proporcional (65%) para a governista foi na 21ª Zona Eleitoral, que tem moradores do complexo do Alemão, e na 169ª zona, que pega parte de Manguinhos, onde teve 61,7% dos votos para a presidência.

Em áreas que também correspondem aos complexos de Manguinhos (56,8%) e da Penha (56%) – ao lado do Alemão –, ela também contou com votação significativa. Na 211ª zona, da Rocinha, Dilma ficou a poucos eleitores da maioria absoluta: teve 49,97%. É uma região onde votam também moradores de São Conrado e da Gávea, de classes média e média-alta. 

Na 12ª Zona Eleitoral, que responde por parte do Alemão, Dilma teve 46,4%, praticamente sua média nacional – 46,9%.

A petista teve 164.215 votos nessas zonas eleitorais.

Com PAC, Dilma supera Lula de 2006 em comunidades

Em todas as urnas do Alemão, Manguinhos e Rocinha – onde os investimentos do PAC foram mais vultosos – a votação de Dilma superou ou se igualou ao desempenho do seu principal aliado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro turno de 2006.

Em uma das zonas com eleitores do Alemão, Dilma teve 65% dos votos, 12 pontos a mais que os 53% de Lula em 2006; em outra área de Manguinhos, Dilma teve 57%, em comparação aos 49% do presidente. Na Rocinha, ela teve 50%, e Lula, 47%. Em outros dois locais, Dilma superou Lula em dois pontos percentuais, e empatou com ele na 12ª zona (que inclui parte do Alemão).

Em área nobre, eleitores ignoram PAC e repetem 2006

Agência Brasil
Vista do elevador nos morros Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, na zona sul. Em área de classe média, o PAC não se reverteu em votos para Dilma, que ficou em terceiro aqui
O único lugar em que o PAC não se reverteu em votos foi no entorno do complexo Pavão-Pavãozinho/Cantagalo. A exceção ao bom desempenho de Dilma aconteceu justo em uma área de classe média-alta, na zona sul do Rio, onde ficam as favelas do Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Ipanema e Copacabana. Nas três zonas eleitorais onde votam os moradores do complexo – e população dos bairros de Ipanema, Copacabana e Lagoa –, Dilma ficou em terceiro lugar, bem atrás de José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

Embora as redondezas tenham recebido benefícios com as obras do PAC e de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) – como a valorização de imóveis e melhora da sensação de segurança –, os moradores de Ipanema, Copacabana e Lagoa aparentemente usaram outros critérios ao escolher seu favorito para presidir o Brasil. Na 165ª zona, Dilma teve apenas 20%; na 3ª, obteve 27%, e na 18ª, 25%.

Curiosamente, o desempenho de Dilma foi quase igual ao de Lula, em 2006, nessa região. O atual presidente teve 19%, 26% e 24%, respectivamente.

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