Para especialistas, governador terá de ser hábil para melhorar o desenvolvimento do Estado, fazer a Copa de 2014 e as Olimpíadas

Reeleito com folga com 66,1% dos votos válidos (5.217.972), o governador Sérgio Cabral (PMDB) iniciará seu segundo mandato com muitas promessas de campanha para tirar do papel e sob a pressão do tempo para preparar o Estado para a Copa de 2014 ( a final é no Maracanã ) e os Jogos Olímpicos de 2016. Para especialistas, Cabral terá de ser hábil para manter as parcerias com os governos federal e municipal, e honrar os compromissos de campanha.

Policiais em fila durante inauguração da UPP do Borel, em junho; Sérgio Cabral prometeu pacificar todas as favelas dominadas por narcotraficantes
Divulgação
Policiais em fila durante inauguração da UPP do Borel, em junho; Sérgio Cabral prometeu pacificar todas as favelas dominadas por narcotraficantes
Garantir a expansão das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em todas as favelas controladas por narcotraficantes, uma das principais promessas de Cabral, é um dos maiores desafios, afirmam especialistas ouvidos pelo iG . Em quatro anos de seu primeiro governo foram implantadas UPPs em 38 favelas. Estima-se que mais de 450 estejam sob o domínio de criminosos no Estado.

O sociólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Ignácio Cano concorda com a proposta e diz que a expansão das UPPs é imperativa. Mas, segundo ele, para que a pacificação seja efetiva será preciso agilizar outras promessas de governo. “É preciso desenvolver um projeto comprometido com ações sociais” diz. “E, além disso, o governador terá de melhorar a capacidade de esclarecimento dos crimes no Estado, que ainda deixa muito a desejar”, afirma.

Embora tenha apresentado redução, a taxa de homicídios no Rio de Janeiro ainda é alta. Segundo os Indicadores de Desenvolvimento Sustentável de 2010, do IBGE, o Estado ocupa a quarta posição no ranking nacional com 41,5 mortes a cada 100 mil habitantes, atrás de Alagoas (59,5), Espírito Santo (53,3) e Pernambuco (53).

Os números da educação também preocupam. No último levantamento do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o desempenho geral do Estado caiu de 3,3 para 2,8, resultado que colocou o Rio na penúltima posição do País -- ao lado de Alagoas, Amapá e Rio Grande do Norte--, à frente apenas do Piauí.

Lagoa da Tijuca: poluída por esgostos sanitários
Divulgação/ Mário Moscatelli
Lagoa da Tijuca: poluída por esgostos sanitários
Meio ambiente é outra área que impõe desafios ao próximo governo. Ano que vem o Rio será sede dos Jogos Mundiais Militares. Em 2012, a capital receberá a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Batizado Rio+20, o evento da ONU tem o objetivo de avaliar compromissos assumidos há 20 anos, quando a cidade também sediou a Eco-92. Na sequência vem a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 ( quando Cabral não estará mais à frente do governo ).

“Se o governador conseguir resolver a falta de saneamento na região metropolitana, o assoreamento de grandes trechos da Baía de Guanabara e da baixada de Jacarepaguá, garantir o funcionamento das unidades de conservação e apresentar solução para os resíduos sólidos, terá feito em oito anos o que governos anteriores não resolveram em 50 anos”, diz o biólogo Mário Moscatelli.

Transporte público: promessa de investimento no metrô

Gargalos no transporte também são apontados por especialistas como outro ponto nevrálgico do Estado. Com o projeto de levar o metrô à Barra da Tijuca e tirar a Linha 3 ( que vai interligar Niterói, São Gonçalo e Itaboraí) do papel, o governador terá de mostrar habilidade para conseguir financiamento do governo federal e fechar parcerias público-privadas, afirma o engenheiro de transportes Fernando McDowell, da UFRJ.

“Ampliar o metrô significa aumentar a capacidade de escoamento de passageiros pela cidade. Para isso, será necessário preparar o trecho Estácio-Carioca-Praça 15, para garantir a efetiva execução da Linha 3 até Niterói”, ressalta McDowell. “O sistema de trens da SuperVia também precisa de intervalos menores, além de estar coligado com a Linha 2 do metrô, para resolver o problema da Baixada Fluminense”, acrescenta.

Dúvida sobre o futuro dos royaties

Além dos desafios diretos, Cabral ainda terá de administrar a dúvida sobre o futuro dos repasses dos royalties oriundos da exploração do petróleo. Se as emendas Ibsen-Simon ( que distribuem igualmente os royalties do pré-sal e atribui à União a responsabilidade de ressarcir em R$ 8 bilhões os Estados produtores prejudicados com a partilha ) não forem vetadas pelo presidente Lula, os cofres do Rio de Janeiro poderá perder repasses anuais na ordem de R$ 7,5 bilhões.

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