PR se firma como principal partido fora da base governista nas duas casas legislativas

Juntos, PV, PSDB, DEM e PPS - os quatro partidos que fazem oposição ao governo federal, e que se uniram no Rio contra a reeleição de Sérgio Cabral -, sofreram uma redução expressiva de deputados federais nas eleições de domingo (3). A bancada de 10 parlamentares caiu para 5; na Alerj, o grupo sofreu perdas, mas conseguiu manter 10 deputados graças ao PV, atualmente sem representante, ter garantido dois assentos.

Com esse desempenho sobra espaço para o PR, do ex-governador Anthony Garotinho, liderar o papel de oposição. A legenda elegeu a terceira maior bancada da Assembleia Legislativa do Estado e se equiparou ao PMDB na Câmara, com oito deputados cada sigla.

Em Brasília, o DEM é a legenda que registrou os maiores abalos. A bancada caiu de cinco para dois deputados: apenas Arolde de Oliveira, ex-secretário de Transportes do governo Cesar Maia, e Rodrigo Maia, filho do ex-prefeito e presidente nacional da sigla, conseguiram a reeleição.

Além da derrota da deputada Solange Amaral após três mandatos consecutivos, a sigla ficará sem Rogério Lisboa, que não foi reeleito, e Indio da Costa, que abriu mão da vaga para concorrer ao cargo de vice-presidente ao lado de José Serra (PSDB).

No ninho tucano, de quatro deputados eleitos em 2006 restaram apenas dois: Andrea Zito e Otávio Leite, que conseguiram a reeleição. Marcelo Itagiba não cabalou votos suficientes, e Silvio Lopes foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico nas eleições de 2008 e está inelegível até 2011.

O PPS, que chegou a três deputados no último pleito, ficará apenas com uma vaga: a do ator e vereador Stepan Nercessian. Neilton Mulim que havia sido eleito pela legenda rumou para o PR, pelo qual foi reeleito. Leandro Sampaio não se reelegeu.

A bancada do PR, no entanto, não é definitiva. Como a candidatura de Garotinho foi aprovada por liminar do TSE, já que ele responde a processos na Justiça Eleitoral, o futuro de seus oito deputados ainda está pendente. Se a decisão for desfavorável ao ex-governador, alguns deputados eleitos ficarão de fora.

Alerj

O PMDB, partido do governador Sérgio Cabral, que até dezembro ostentará o título de maior bancada na Casa, perdeu espaço e caiu de 19 para 12 deputados, mas continua com a dianteira. Entre os que sairão de cena está o presidente da Assembleia, Jorge Picciani, que não disputou a reeleição para concorrer ao Senado, em campanha derrotada.

O PDT passa a ser a segunda maior bancada, com 11 deputados, graças à aliança em torno da reeleição de Cabral e aos mais de 528 mil votos recebidos por Wagner Montes. A sigla deve garantir apoio ao governo, ao lado do PT, que aumentou sua bancada de quatro para cinco deputados.

Com os 118.863 votos conquistados pela vereadora Clarissa Garotinho, a quinta mais votada na Alerj, o PR aumentou sua bancada de seis para nove parlamentares. É a terceira maior da Casa e já ameaça fazer forte oposição ao governador Sérgio Cabral, sob o comando de Clarissa Garotinho, que tentará levar para o grupo os eleitos por partidos nanicos. PR faz parte da oposição e, sem sua participação, DEM, PSDB, PPS e PV votarão contra o governo com 10 deputados.

Assim como na disputa por uma vaga na Câmara, o DEM registrou o maior golpe nas urnas e teve a bancada na Assembleia Legislativa reduzida de três para um deputado. Apenas Graça Pereira conseguiu permanecer na Casa. O deputado Rodrigo Dantas (ex-secretário de Urbanismo de Cesar Maia) e João Pedro Figueira, também ligado ao ex-prefeito, não conseguiram se reeleger.

Dos cinco deputados atuais do PDSB, apenas dois foram reeleitos: Gerson Bergher e Luiz Paulo. Além disso, a vereadora Lucinha, mais votada em 2008, conseguiu uma vaga no Legislativo após cinco mandatos na Câmara Municipal do Rio. O grupo terá reforço de Claise Maria Zito, mulher do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito.

Os dois únicos representantes do PPS, André Correa e Comte Bittencourt, foram reeleitos e vão poder contar em 2011 com mais um reforço, o de José Luiz Naci, vereador em São Gonçalo. O PV também cresceu. Sem representante nesta legislatura, contará com a vereadora Aspásia Camargo e Xandrinho.

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