Oposição acusa Wagner de tentar esconder dados de segurança

No domingo, Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que deixaria de divulgar estatísticas até o fim de 2010

Lucas Esteves, iG Salvador |

Por pouco mais de 48 horas, o governo da Bahia decidiu que a divulgação oficial de dados sobre a violência no Estado deixaria de ser feita até o final do ano de 2010. A medida, anunciada no último domingo (13) e divulgada pelo jornal A Tarde , atraiu críticas de membros da oposição ao governador Jaques Wagner (PT), que descreveram a decisão como um “dispositivo de censura”.

No domingo, a Secretaria de Segurança Pública anunciou que, devido a uma mudança do sistema de informação do Centro de Estatística e Documentação Policial (Cedep), nenhuma estatística atualizada seria mais cedida tanto a órgãos de imprensa quanto a qualquer outro solicitante.

Não demorou para que adversários se manifestassem com críticas duras ao governo, alegando que o controle das informações era apenas uma tentativa de esconder a escalada da violência na Bahia, de forma a evitar prejuízos eleitorais às vésperas da corrida pelo Palácio de Ondina. Para o ex-governador Paulo Souto (DEM), que tenta retornar ao posto nesta eleição, a atitude de Wagner é “suspeita”.

“O que se viu neste governo foi muita propaganda e pouca ação. Agora, para piorar, no final da gestão, estão pretendo omitir informações importantes como os índices de criminalidade à opinião pública. Não será escondendo os resultados das estatísticas criminais que o governador Jaques Wagner vai conseguir frear a escalada da violência no Estado em seu último semestre de governo”, disse.

Já César Borges, candidato ao Senado pelo PMDB do ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima, declarou que a possibilidade era “inacreditável” e ironizou o suposto prazo de seis meses para trocar programas de computador. “Se for verdade, ficamos sabendo que a Bahia está mergulhada no mais puro obscurantismo na área da informática em pleno século 21", criticou.

Desde o início da gestão Wagner, mais de 14 mil pessoas foram assassinadas na Bahia. De janeiro a maio de 2010, o número de mortes apenas na Grande Salvador atinge 744.  Pelo Twitter oficial do Governo do Estado, a divulgação dos dados foi garantido nesta terça (15).

Questionada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Governo da Bahia afirmou que a secretaria não teve intenção, em nenhum momento, de suprimir a divulgação de dados públicos e que a substituição de sistema não implica em suspensão da coleta e cadastro das estatísticas da violência.

Ainda segundo o órgão, o mal-entendido em relação à informação pode ter sido gerado por alguma "fonte imprecisa" ouvida originalmente pelo jornal A Tarde , que divulgou a informação no domingo. Segundo o governo, nunca houve orientação interna para a retenção de material.

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