'O que leva ao aborto é a falta de políticas sociais', diz Dilma

Para a candidata, aborto não é questão de polícia, mas de saúde. Ela culpou adversários pelo "esfacelamento da família"

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Em meio à polêmica e à onda de boataria sobre o aborto que provocaram reações de setores religiosos, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse, sem citar nomes, que seus adversários foram os responsáveis pelo esfacelamento da família brasileira. Para Dilma, o que evita a prática do aborto são políticas sociais e não a repressão policial.

“Quando eles elevaram a desigualdade brasileira a níveis absurdos, a consequência foi o esfacelamento da família”, disse. “O que leva ao aborto é a falta de políticas sociais que garantam condições para as mães criarem seus filhos”, completou a candidata em ato de campanha em São Paulo.

Depois de reafirmar que pessoalmente ela é contra o aborto e que se trata de uma violência contra a mulher, Dilma prometeu criar uma política comunitária envolvendo igrejas, Estados e municípios para garantir que qualquer mulher possa dar à luz e criar os filhos e não precise recorrer ao aborto.

“Eu, como Presidente da República, não fecharei meus olhos para milhares ou milhões de mulheres adolescentes, mulheres pobres, que em momento de desespero e sem proteção, porque não sabem se poderão criar seus filhos ou não, cometem atos extremos que colocam a vida delas em risco. Não tratarei estas mulheres como uma questão de polícia, é uma questão de saúde. É mais questão de uma política comunitária.”

AE
Dilma Rousseff discursa no Palácio do Trabalhador, em São Paulo, ao lado do candidato a vice em sua chapa, Michel Temer, e do senador Aloizio Mercadante

A candidata que chegou a citar números do governo Lula, como a retirada de cerca de 24 milhões de brasileiros da pobreza extrema, afirmou que a eleição está sendo pautada por “calúnias”. “Tem outra coisa que é importante falar nesse momento, que é essa quantidade de calúnia e difamação. O projeto que eu represento é o verdadeiro projeto em favor da vida. Este projeto coloca na ordem do dia o resgate da família brasileira.”.


“Campanha suja”

Apesar de José Eduardo Dutra, presidente do PT e coordenador da campanha petista à Presidência, ter dito que haveria mudança de tema, a onda de boatos sobre o aborto em setores religiosos foi o centro dos discursos em ato que reuniu, na noite desta sexta-feira, militantes do partido e sindicalistas no Palácio do Trabalhador, em São Paulo. Até Levy Fidelix (PRTB), que se candidatou à Presidência, falou sobre isso. “Querem satanizar a Dilma, querem colocá-la contra os valores de Deus, o que é mentira, porque aquele que antecedeu o presidente Lula nem em Deus acredita”, em referência a Fernando Henrique Cardoso, que já se disse ateu.

Ciro Gomes (PSB) também afirmou que está havendo uma “campanha suja e imunda no subterrâneo da política”. Ao lado de Michel Temer (PMDB), candidato a vice na chapa de Dilma, Ciro aproveitou o evento para desfazer o mal-estar criado quando ele disse que o PMDB é um “ajuntamento de assaltantes”. Ele admitiu que existem contradições na composição da coligação, contradições ideológicas, mas afirmou que isso é uma “necessidade da realidade política brasileira”.

“Essa contradição é uma imposição da política brasileira. Ninguém governa o Brasil sozinho”, afirmou Ciro.

E aproveitou o tema para criticar os tucanos: “se há uma contradição aqui, nenhuma delas é pior do que a imundice que cimenta a tradição do PSDB.”

    Leia tudo sobre: pleito 2010eleições dilmaeleições serraaborto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG