O papel das pesquisas de maio

Das 5 eleições presidenciais desde 89, em 4 delas venceu o candidato que apareceu à frente nas pesquisas de maio. Um perdeu

Eduardo Oinegue, iG São Paulo |

De 1989 para cá, o Brasil teve cinco eleições presidenciais. Esta é a sexta. Em quatro delas, o candidato que apareceu à frente nas pesquisas de maio recebeu a faixa de presidente da República: 1989, 1998, 2002 e 2006. Em uma delas, a de 1994, deu-se um resultado diferente. Naquele ano, Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato da oposição, aparecia em maio com 42% das intenções de voto, segundo dados do Datafolha.

Fernando Henrique Cardoso, que venceria a corrida no primeiro turno, tinha naquele mês apenas 16% das intenções de voto. O “X” representado pelo cruzamento da linha de queda de Lula e da linha de subida de FHC ocorreria em julho. Observada por esta ótica, a pesquisa de maio constitui um indicador importante. Afinal, em quatro quintos das vezes o candidato que aparecia na ponta nas pesquisas de maio acabaria assumindo a presidência. Há, no entanto, uma outra forma de ver a história das eleições presidenciais no Brasil, menos matemática e mais política. E ela mostra que, ainda que na maior parte dos casos os lideres de maio tenham sido eleitos, os cenários traçados à luz de maio por especialistas não se confirmariam nas urnas –- não da forma prevista.

Tome-se o caso de 1989, na eleição que escolheu o sucessor do presidente José Sarney. Em maio daquele ano, tudo indicava que o principal candidato da oposição, Fernando Collor, teria uma vitória fácil, quem sabe em primeiro turno. Collor chegou a atingir 42% das intenções de voto, segundo o Datafolha. E o que aconteceu? A poucas semanas do primeiro turno, Lula, do PT, terceiro colocado nas pesquisas de maio passaria o segundo, Leonel Brizola, do PDT, forçando um um segundo turno que se mostrou encarniçado.

A distância entre Collor e Lula chegou a ser de apenas 1 ponto porcentual. Ou seja, a percepção da tal eleição tranquila que se poderia imaginar diante dos dados de maio simplesmente não se confirmou. Em várias entrevistas, Collor chegou a admitir que temeu perder a corrida para Lula. Sua eleição acabou sendo muito mais difícil do que parecia.

Não foi diferente em 1998, na disputa que reelegeu o presidente Fernando Henrique Cardoso em primeiro turno. Observados os dados de maio daquele ano, a distância entre FHC (34%) e Lula (30%) – dados do Datafolha -- parecia apontar para uma disputa apertada. A tranquilidade só apareceria a partir dos números das pesquisas de julho. Em 2002, quando Lula sucedeu FHC, o cenário de 1989 se repetiu. A exemplo de Collor, o candidato petista ultrapassou a casa dos 40% em maio. Mais precisamente, 43%, segundo o Datafolha.

Embolados no segundo lugar estavam o candidato do governo, o tucano José Serra , e dois outros candidatos da oposição: Ciro Gomes e Anthony Garotinho. Em julho daquele ano, Ciro descolaria do segundo pelotão e ficaria a apenas cinco pontos atrás de Lula. A ocorrência de um segundo turno entre Serra e Lula só se materializaria nas pesquisas de setembro. Mais uma vez, os palpites de uma vitória em primeiro turno, comuns em maio, não se confirmaram.

Em 2006, sob a ótica das pesquisas de maio, Lula poderia ser reeleito em primeiro turno, com o dobro dos votos do segundo colocado, Geraldo Alckmin, do PSDB, que tinha 22% das intenções de voto naquela data, segundo o Datafolha. Lula acabou não atingindo os votos necessários e precisou disputar o segundo turno com Alckmin. A reeleição foi mais difícil do que parecia. Se a matemática conspira a favor do candidato lider de maio, a política dá várias mostras de que pode reservar surpresas para os cinco meses que separam maio do dia D.

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