Novo estilo de Dilma não empolga e Lula rouba cena em 1º comício

Cerca de duas mil pessoas acompanharam primeiro ato da candidata do PT à Presidência com Lula, mas discurso não agradou

Andréia Sadi, iG Brasília |

Para um público abaixo do esperado e sob a lupa deu seu principal cabo eleitoral, Dilma Rousseff estreou nesta sexta-feira, no Rio, o roteiro que deverá seguir até o dia 17 de agosto, quando a exposição dos comícios dará espaço à propaganda na TV. Ao lado do presidente Lula, que acompanhou o comício na região central da cidade, as mudanças no comportamento da candidata à Presidência não foram suficientes para empolgar a militância, que aplaudiu timidamente Dilma uma ou outra vez.

A ex-ministra seguiu o script da coordenação de sua campanha. No comício, como já havia feito durante o lançamento do comitê presidencial, trocou o discurso burocrático por frases curtas e objetivas ditas em 15 minutos. Mas o tema foi repetitivo: abordou a questão de gênero e teceu elogios ao seu principal cabo eleitoral.

Embora a campanha tenha tomado cuidado para que Lula discursasse antes da candidata, ele roubou a cena. O presidente recebeu as manifestações do público, que aos poucos foi vencido pela forte chuva que caía na Cinelândia e deixou o centro do Rio. Lula foi aplaudido pelo menos seis vezes, durante os 20 minutos que discursou.

Adepta do recurso do teleprompter, a candidata do PT pareceu estar sem a ajuda. Assim como o presidente Lula, que esteve atento ao desempenho da candidata, Dilma se soltou: falou com “as mãos”, acenou para o público e andou com um microfone de um lado para o outro no palanque montado na Cinelândia, centro do Rio.

Consideradas longas e cansativas, as falas públicas de Dilma durante a pré-campanha custaram a agradar aos militantes petistas. A ordem da coordenação política da campanha é falar pouco durante os comícios eleitorais e evitar números e dados burocráticos, como fez durante o comício. Novata na corrida eleitoral, Dilma demonstrou nervosismo em alguns momentos de sua fala, que não parecia seguir um roteiro prévio.

Durante os 15 minutos, Dilma não citou os adversários na corrida eleitoral. Aproveitou a ocasião para ironizar o processo de escolha do deputado Indio da Costa (DEM-RJ) para ocupar o posto de vice na chapa de seu principal rival na corrida presidencial, o tucano José Serra. Indio foi escalado para a vaga na última hora, após o DEM resistir à montagem de uma chapa puro-sangue tendo o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) no posto. "Meu vice não caiu do céu, não é um vice improvisado. É uma pessoa competente e capaz", disse Dilma, ao afagar Temer.

A equipe de Dilma acredita que as aulas que a petista teve com a jornalista e especialista em treinamento de mídia Olga Curado, contratada pelo marqueteiro João Santana, terão cada vez mais resultados durante esta fase da campanha.

A orientação para se “soltar” durante atos públicos foi seguida à risca pela candidata durante o discurso. Mas antes da presença de Lula, Dilma não abandonou a postura de gerentona, dos tempos em que ocupou o ministério da Casa Civil. Na maior parte do tempo, ela se manteve de braços cruzados quando acompanhava os discursos dos políticos aliados. O vice Michel Temer também se manteve na mesma posição. Por pelo menos quatro vezes, a voz de Dilma falhou durante o discurso. Desde que começou a ser preparada para a sucessão de Lula, a petista passou a praticar fonoaudiologia.

Chuva adversária

Contrariando a expectativa da organização, que dizia aguardar 100 mil pessoas, o primeiro comício de Dilma no Rio reuniu cerca de 15 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar. A impressão, porém, era de haver menos pessoas no local.

Com o temporal que começou a cair por volta das 19h, os militantes começaram a se dispersar e, durante o discurso de Dilma, o público estimado pela polícia era de apenas mil pessoas. "Só pode ser mandinga do José Serra!", brincou um militante, que desistiu de acompanhar o comício.

O evento começou com uma concentração na Candelária, seguiu em uma passeata pela Avenida Rio Branco, onde, segundo a polícia, houve a maior concentração de público, e terminou na Cinelândia, onde aconteceu o comício.

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