Vitórias de Kassab e Lacerda embolam disputa para 2010
26/10 - 19:51
Marina Morena Costa, do Último Segundo
A vitória de Márcio Lacerda (PSB) sobre o peemedebista Leonardo Quintão dá fôlego ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), para a corrida presidencial de 2010, na visão de analistas. Provável concorrente de Aécio à candidatura presidencial pelo PSDB, José Serra, governador de São Paulo, também saiu fortalecido das eleições com a reeleição de Gilberto Kassab (DEM), seu antigo vice na prefeitura de São Paulo. Com isso, a disputa pela candidatura tucana ao Planalto fica bastante acirrada.
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| Aécio Neves (à esq.) e Márcio Lacerda (à dir.) votam juntos |
Para Carlos Ranulfo Melo, cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “o sucesso de Lacerda era muito importante para as estratégias do Aécio”. O governador tucano havia apostado alto na candidatura de Lacerda e na parceria informal com o PT – o atual prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel, também apoiou o candidato do PSB.
Caso a candidatura de Lacerda não decolasse, Aécio Neves perderia apoio político dentro de seu partido. Além disso, segundo avaliação de Carlos Ranulfo, o cenário do primeiro turno apontava “derrotas sérias” de Aécio em grandes cidades mineiras, como Juiz de Fora, Betim e Contagem. Porém, nos últimos dias de campanha, Custódio Mattos (PSDB), em Juiz de Fora, e Lacerda, na capital, viraram o cenário que lhes parecia pouco favorável e foram eleitos.
O professor da UFMG avalia que Lacerda enfrentou uma “onda Quintão” em Belo Horizonte, um “fenômeno de massa”, impulsionado pelo carisma e pela “performance televisiva” do peemedebista, na visão do analista. “O próprio programa do Leonardo era puramente emotivo, não tinha nada consistente para apresentar em termos práticos. Por outro lado, Lacerda desfilava propostas, mas ‘não pegava’”, avaliou o cientista poucos dias antes das eleições deste domingo (26). Não pegava, mas pegou, pois Lacerda deslanchou em pouco tempo. Exatamente o que ele e Aécio precisavam.
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| Gilberto Kassab (à esq.) e José Serra votam com crianças |
Por outro lado, o grande crescimento de Gilberto Kassab nas eleições – que começou a corrida em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto, terminou o primeiro turno na frente de Marta Suplicy e venceu a petista neste domingo – “fortalece Serra dentro do partido para uma disputa com o Aécio”, avalia Lara Mesquita, especialista do CEM (Centro de Estudos da Metrópole, de São Paulo) e pesquisadora de comportamento eleitoral.
Alianças políticas
Segundo Márcia Ribeiro Dias, cientista política e professora da PUC-RS, a aliança PT-PSDB, formada em Belo Horizonte, não se repetirá no plano nacional, porque os tucanos são “os principais adversários” dos petistas. “[Nas eleições regionais] Há uma tolerância muito grande do eleitorado em relação a estas alianças, que poderiam ser consideradas espúrias por serem contraditórias”, afirma a pesquisadora. Porém, segundo Márcia Ribeiro Dias, “o eleitor não pensa na questão nacional”, durante as eleições municipais. “As alianças partidárias são incoerentes, porque os eleitores desprezam os partidos”, resume
Até mesmo a parceria consagrada em São Paulo PSDB-DEM não deve ter presença nacional marcante em 2010, segundo avaliação de Lara Mesquita. “Em São Paulo, tivemos o Gilberto Kassab, candidato do DEM (antigo PFL), apoiado pelo PSDB. Nacionalmente, talvez não desse certo o PSDB concorrer com um candidato de outro partido. Acredito que o próprio PSDB nacional não aceitaria esta parceria”, analisa.
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