Eleitor brasileiro elegeria candidato gay, diz especialista

16/10 - 07:15

Marina Morena Costa

O eleitor brasileiro está mais maduro, não se importa com a vida pessoal dos políticos e elegeria um candidato assumidamente gay, caso fosse um administrador competente. Estas são as opiniões de Alberto Carlos Almeida, cientista político e autor do livro “A cabeça do eleitor”, uma análise sobre o comportamento da população na hora de decidir o voto.

Acordo Ortográfico “O importante para o eleitor é saber se o candidato tem condições de ser um bom prefeito”, afirma Alberto Carlos. Para o cientista político, o eleitorado brasileiro está consciente de que o candidato precisa ser um bom administrador e não leva em consideração a opção sexual do político ao votar. O ex-prefeito de Porto Alegre e ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (PT) chegou a declarar em uma entrevista publicada em 1981 que teve relações homossexuais na juventude. A declaração não afetou sua vida política, tanto é que Olívio se elegeu prefeito em 88 e governador em 98.

Recentemente, Marta Suplicy (PT) questionou a vida pessoal de Gilberto Kassab (DEM) seu adversário na corrida eleitoral pela prefeitura de São Paulo, em uma polêmica peça publicitária. Na propaganda, um locutor pergunta se Kassab é casado e tem filhos. O questionamento sobre a vida pessoal do candidato colocou em pauta a abordagem da opção sexual dos políticos. Vários cabos eleitorais de Marta nas ruas e blogs mantidos por petistas na internet afirmam que o prefeito é gay. Kassab foi questionado sobre o tema na última terça-feira (14), e disse não ser homossexual.

Reprodução
Propaganda de Marta questiona
vida pessoal de Kassab
Alberto Carlos vê a peça publicitária como um erro. “Vai contra a história de Marta, que sempre defendeu a diversidade sexual, e consolida (ou reforça) a rejeição que ela tem junto às pessoas de escolaridade mais alta, provenientes das classes alta e média”.

Trazer questões pessoais para o debate político não tira votos do adversário, de acordo com a análise do cientista político. “A campanha política brasileira não costuma colocar a vida pessoal dos candidatos em pauta, porque sabe que o eleitor não leva isso em conta. Como o tempo de propaganda é curto, não vale a pena falar de algo que não dá votos. É perda de tempo, literalmente”, avalia Alberto.

Segundo o cientista político, a vida pessoal do candidato só merece ser discutida ou questionada, quando apresenta questões éticas e morais, como um crime cometido anteriormente. “Se o candidato é um assassino ou estuprador, a coisa muda de figura”, afirma o especialista.

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