Serra é o presidenciável com melhor desempenho no 1º turno
06/10 - 03:53
Redação
Entre os nomes mais cotados para disputar a Presidência da República em 2010, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é quem teve o melhor desempenho. Além de ver Gilberto Kassab (DEM) vencer de forma surpreendente o primeiro turno em São Paulo, seus eventuais adversários em 2010 amargaram derrotas pelo País.
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O primeiro deles é um concorrente dentro do próprio PSDB, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. O candidato de Aécio em Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), cotado até duas semanas atrás para liquidar a fatura no primeiro turno, viu Leonardo Quintão (PMDB) não só obrigá-lo a disputar uma nova eleição no final deste mês. Lacerda teve uma vitória apertada: 43,59% contra 41,29%.
“Belo Horizonte é uma das maiores surpresas desta eleição”, diz Fernando Abrucio, cientista político e professor da FGV-SP. Abrucio frisa que o resultado tem um significado extra. Lacerda tinha o apoio do prefeito Fernando Pimentel (PT) que, tal como Aécio, goza de grande popularidade em Minas. “O eleitorado resolveu dizer que não ia referendar uma costura de gabinete e se revoltou”, diz o analista.
Além disso, Aécio amargou uma derrota em Juiz de Fora, uma das maiores cidades do Estado. O deputado Custódio Mattos, aliados de Aécio, foi para o segundo turno, mas atrás da petista Maria Margarida Martins Salomão. Em Uberaba, o candidato do PSDB também perdeu - e no primeiro turno.
Ciro Gomes, do PSB, perdeu em casa. A ex-mulher Patrícia Saboya (PDT) ficou em terceiro lugar na corrida pela Prefeitura de Fortaleza. Foi derrotada no primeiro turno pela petista Luizianne Lins, com a qual Ciro trocou quase um ataque por dia durante três meses de eleições.
O PT, da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, teve um desempenho bem melhor. A sigla venceu em seis capitais no primeiro turno e colocou candidatos em outras três no segundo turno. Nesse cenário, é o partido que teve o melhor desempenho nos principais municípios brasileiros no primeiro turno.
Porém, o PT sofreu derrotas de grande peso político neste primeiro turno, como em São Paulo, onde a ex-prefeita Marta Suplicy terminou atrás de Kassab, após liderar todas as pesquisas de intenção de voto dos últimos dois meses.
Em Curitiba, o tucano Beto Richa venceu a petista Gleisi Hoffmann por 77,27% a 18,17%. A capital do Paraná foi um dos poucos lugares em que Dilma subiu em palanques. Gleisi é mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Em Natal, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se empenhou para derrotar Micarla de Sousa, do PV, apoiada pelo senador Agripino Maia (DEM). Mas Micarla venceu a petista Fátima Bezerra, no primeiro turno.
No ABC paulista, região do País que mais mereceu visitas de Lula, que se empenhou em fazer seus candidatos vencerem no primeiro turno, apenas cumpriu a meta presidencial: Diadema. Em São Bernardo do Campo, onde Lula vota, o ex-ministro Luiz Marinho (PT) vai disputar o segundo turno com Orlando Morando Jr., do PSDB.
A dimensão da vitória de Serra fica mais acentuada com o segundo turno no Rio de Janeiro. Eduardo Paes (PMDB) foi secretário-geral do PSDB e é apoiado pelo governador Sérgio Cabral, também do PMDB, com o qual Serra mantém boas relações. Paes também era da ala “serrista” do PSDB e teve uma atuação na CPI dos Correios que até hoje irrita os petistas, o que deve dificultar o desembarque em peso do partido governista em sua candidatura. O outro concorrente na capital, Fernando Gabeira (PV), tem o apoio do PSDB já no primeiro turno.
Porém, é recomendável que o governador controle um possível entusiasmo. Seu partido, o PSDB, entrou nessas eleições com quatro prefeitos de capitais e, na melhor das hipóteses, pode apenas igualar o desempenho de quatro anos atrás. Ganhou duas cidades no primeiro turno e vai para o segundo em outras duas.
O vereador mais votado na capital paulista foi Gabriel Chalita. Secretário da Educação durante o governo de Geraldo Alckmin, ele é da ala tucana que sai dessa eleição, no mínimo, bastante magoada com Serra pelo apoio que alguns aliados do governador deram a Kassab. Essa ala, que controla parte do PSDB paulista, ainda tem condições de provocar problemas para Serra.
O professor Fernando Antonio Azevedo, coordenador do programa de pós-graduação em ciência política da UFSCar, afirma que Kassab é “franco favorito” em São Paulo, mas faz uma ressalva. “O PT vai associá-lo ao malufismo, já que Kassab foi secretário do ex-prefeito Celso Pitta, e trará o presidente Lula para fazer campanha para Marta”, diz Azevedo. “Será a oportunidade de testar a consistência de Kassab e do projeto de Serra.” Em tempo: o DEM não ganhou nenhuma cidade no primeiro turno e só foi para o segundo turno em São Paulo.
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