No Tocantins, Serra tem reforço de servidores

Tucano se disse impressionado com o público que acompanhou visita a Palmas nesta terça-feira

Adriano Ceolin, enviado a Tocantins |

Secretários municipais, militantes contratados e até mesmo funcionários públicos em horário de expediente asseguraram um reforço de público à caminhada realizada nesta segunda-feira pelo presidenciável José Serra (PSDB) no centro de Palmas (TO). Os grupos são ligados a prefeitos e candidatos a deputado que pertencem à coligação do tucano Siqueira Campos, candidato ao governo do Tocantins.

O secretário de Esportes do município de Almas, Ulisses Júnior, contou à reportagem do iG que não trabalhou porque foi a Palmas “conhecer Serra”. Segundo Ulisses, o prefeito Leonardo Cintra (PSDB) pediu que alguns militantes marcassem presença no evento. No entanto, de acordo com ele, houve expediente normal.

Na caminhada de Serra, também compareceram  cabos eleitorais remunerados. A militância paga, prática cada vez mais comum nas campanhas eleitorais, marcou também o comício de estreia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) , realizado há algumas semanas no Rio.

nullNo evento de ontem, a estudante Tânia Santos Nascimento disse ter sido contratada pela campanha de Siqueira Campos. Ganha R$ 510 para fazer campanha para o PSDB. Ela e outros militantes saíram do bairro Taquaral, na periferia de Palmas, acompanharam a passeata de Serra no centro da cidade. Terminada a atividade, eles embarcaram em um ônibus levado ao local pela campanha. 

O presidente do PSDB do Tocantins, Ernani Soares Siqueira, negou que tenham sido contratados militantes para participar do evento de Serra. “Isso é mobilização dos candidatos a deputado federal”, disse, referindo-se à quantidade de pessoas presentes na caminhada. “Nós não gastamos nada”, completou. A campanha de Siqueira Campos tem previsão de gastos de até R$ 30 milhões.

Com uma bandeira “Serra presidente” nas mãos , Cecília da Glória disse que foi à caminhada tucana dizendo trabalhar para o candidato a deputado estadual Ozires Damázio (DEM). Ela disse que ganha R$ 400 por mês. “Eu sempre votei nele. Gosto dele”, disse Cecília, de 55 anos.

Apesar de avaliar positivamente o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cecília disse que vai votar em Serra porque não acredita que Dilma poderá dar continuidade à gestão do atual presidente.

Ela comparou Dilma ao candidato ao Senado pelo PMDB, Marcelo Miranda, que é apoiado pelo PT no Estado. “O Siqueira ajudou a eleger o Marcelo Miranda, mas ele não fez um governo tão bom quanto o dele”, disse.

nullMiranda foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral no ano passado, sob acusação de abuso do poder econômico. Ele rompeu com Siqueira Campos em 2006, quando disputou a reeleição contra o tucano e acabou vencedor.

Cabo eleitoral do candidato a deputado Raimundo Boi (PP), a funcionária pública aposentada Maria de Jesus afirmou ser líder de um grupo de 22 cabos eleitorais. Ela, no entanto, contou que todos participaram da caminhada com Serra e Siqueira de forma voluntária. “Por enquanto, não ganhamos nada”.

Serra disse ter ficado impressionado com a quantidade de pessoas presentes na caminhada. “Fiquei impressionado e agradado. Foi uma recepção calorosa. Não apenas daqueles que são partidários. O calor das pessoas é o tipo de calor que refresca”, disse

Tática do medo

Em entrevista coletiva, Serra não quis alimentar a tese levantada por Dilma de que estaria usando a “tática do medo” ao vincular o PT às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). “Isso é ti-ti-ti e tro-ló-ló”, afirmou o tucano. “É bobagem, eu quero discutir propostas.”

Em Pernambuco, na semana passada, Dilma acusou Serra “de olhar para o retrovisor” e usar “a tática do medo que usou em 2002”. Há oito anos, um comercial com a atriz Regina Duarte dizia que ela tinha medo de ver Lula presidente do País.

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