No RS, Serra recebe o apoio de movimento de mulheres do PP

Tucano conta com votos de senadora eleita Ana Amélia, que recebeu um milhão de votos a mais que ele no Rio Grande do Sul

Matheus Pichonelli, enviado a Porto Alegre |

De olho no eleitorado feminino do Rio Grande do Sul, o único Estado da Região Sul onde ficou atrás de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno, o presidenciável tucano José Serra participou nesta sexta-feira, em Porto Alegre, de um ato político que reuniu pelo menos cem mulheres do Partido Progressista gaúcho – a maioria vestindo blusa cor de rosa - e recebeu o apoio de um de seus principais cabos eleitorais na região: a senadora eleita Ana Amélia (PP).

Amélia recebeu cerca de 3,4 milhões votos, mais do que os 2,6 milhões que Serra recebeu no primeiro turno no Rio Grande do Sul. Aliado do PT na esfera nacional, o PP gaúcho é um dos principais apoiadores da candidatura tucana na região. O evento, que reuniu lideranças femininas no Estado, deixou de fora, no entanto, a governadora tucana no Estado, Yeda Crusius, que não conseguiu se reeleger este ano.

Três dias após o incidente ocorrido no Rio de Janeiro, em que Serra foi atendido em uma clínica médica após ser agredido durante confusão entre militantes petistas e tucanos, o episódio deu a tônica nos discursos. Ana Amélia, em sua fala, apresentou sua solidariedade ao tucano em razão do que chamou de “falta de respeito” demonstrada pelo presidente Lula em relação ao candidato.

“O presidente Lula não deveria menosprezar e tentar desconstruir e ridicularizar um adversário político”, disse a senadora eleita, para quem a fala de Lula foi um ataque aos 33 milhões de eleitores que votaram em Serra no primeiro turno.

Serra, por sua vez, tentou afagar o eleitorado gaúcho ao dizer que estava recebendo o apoio do “melhor PP do Brasil” e que se considerava um integrante da “pátria gaúcha”. O tucano classificou o hino do Estado como o hino estadual mais bonito do País e prometeu ser um aliado do governador eleito Tarso Genro, que é do PT.

Apesar do discurso amistoso, Serra cometeu um deslize ao afirmar que no governo de São Paulo estava acostumado a lidar com políticos até “mais sectários” do que Genro.

Ainda em relação ao episódio da agressão no Rio, Serra voltou a afirmar que os seus adversários do PT querem restringir o direito das pessoas de “dizer o que pensam, de circular e de se reunir” durante uma campanha. Segundo o presidenciável, o PT vê seus adversários como inimigos que precisam ser destruídos “com mentiras, violência se for preciso”, sempre com o “aval” do presidente Lula.

Defesa da vida

Ao chegar ao encontro em um hotel no centro da capital gaúcha, Serra foi recebido por dezenas de militante do PP Mulher (“Ação Mulher Progressista”) que, vestidas com camisetas no modelo polo e de coloração roxa e cor de rosa, gritavam “Brasil decente, Serra presidente”. Cerca de 200 camisetas foram confeccionadas especialmente para o evento.

Segundo Solange Fortuna, jornalista de 52 anos e porta-voz do movimento, o apoio se deve ao fato de o candidato ser “a favor da vida”. “Não é questão de aborto, é questão que ele defende a vida mesmo”, disse Solange. Ela explicou o argumento dizendo que Serra e a mulher dele, Mônica Serra, apóiam trabalhos de prevenção do câncer de mama.

Já a presidente do PP Mulher, Ana Regina Gorki, afirmou que não havia contradição em fazer campanha contra uma candidata mulher. Segundo ela, o eleitorado feminino é mais exigente e o candidato tem “experiência e competência comprovadas” – o que, disse ela, não é o caso da candidata petista.

“A Dilma é ambígua em tudo o que a gente já leu ou viu em suas entrevistas quando fala sobre o aborto”, disse Ana Regina. De acordo com ela, a posição do tucano sobre o assunto e a “acusação” feita por ex-alunas de Mônica Serra - de que a mulher do tucano já teria feito aborto - foram apenas resultado de má interpretação que o PT usa para distorcer os fatos.

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