No Rio, Serra defende diversidade de financiamento da Cultura

Tucano afirma que decisões de incentivo da Lei Rouanet não devem partir apenas do governo, mas também de artistas e empresários

Samia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

Em encontro com artistas e intelectuais para debater a Cultura em um restaurante do Rio na noite desta terça-feira (14), o candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, afirmou que é preciso “diversificar a fonte de financiamento ( da cultura )”.

“Não basta a Lei Rouanet para financiar. É preciso haver recursos maiores, de outras fontes, como a criação de fundos”, disse, ao criticar a centralização da distribuição de recursos pela Lei.

AE
José Serra (e), acompanhado de Indio da Costa (DEM-RJ), seu vice, assina seu nome na coluna do restaurante Fiorentina, no Leme, na zona sul do Rio de Janeiro
Além da diversificação dos recursos, o candidato também defendeu que a decisão sobre os projetos não sejam tomadas apenas pelo governo. “Acho que as decisões devem ser divididas entre artistas, governo e empresários", afirmou o tucano.

O candidato se disse "espantado" com a maneira como é aplicada a Lei Rouanet e citou como exemplo a destinação de recursos para o Cirque du Soleil. "O incentivo existiu só porque o ministro da Cultura quis", disse, acrescentando que o conselho que define se a Lei apoia ou não um projeto havia escolhido não ajudar o Cirque du Soleil. 

Serra chegou ao evento, que reuniu cerca de 200 pessoas e teve entre os organizadores o cineasta Guilherme Coelho, acompanhado do seu vice, o deputado federal Índio da Costa (DEM), e do poeta Ferreira Gullar, que declarou apoiar o tucano "desde sempre". "Estou aqui para ouvir o que ele pretende para nós ( artistas )", disse Gullar.

A atriz Maitê Proença também compareceu ao encontro, mas disse não ter definido seu voto ainda. "Vim para ouvir as propostas e saber se ele ( Serra ) tem alguma plataforma para nossa área ( artística )", disse.

Na mesa de Serra, que bebeu um chope enquanto discursava, estavam, além de seu vice, o candidato ao governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, e o ator Carlos Vereza, amigo do presidenciável. 

O ator também discursou e criticou o governo Lula, o qual chamou de "desgoverno, que se alia às piores ditaduras do mundo". Para Vereza "não houve nada" relevante na área cultural no atual governo. Ele defendeu as privatizações de FHC e afirmou que Lula enfrentou a crise econômica mundial graças ao Plano Real, implantado no governo tucano. 

O humorista Marcelo Madureira, a cantora Sandra de Sá, o músico Charles Gavin, a jornalista Danuza Leão e a atriz Rosamaria Murtinho também foram ao encontro.

Direitos Autorais

Questionado sobre a reforma da Lei de Direitos Autorais, Serra afirmou não entender muito sobre o tema. "Mas acho que o artista, quem produz, tem que ser reconhecido e tem que receber pelo o que faz", disse.

O músico Charles Gavin classificou a legislação atual de ultrapassada. Serra então pediu que lhe enviassem ideias sobre o tema. "Gostaria de ouvir, ter argumentos, quero aprender sobre isso", afirmou.

Partidarização

Em seu discurso, o presidenciável voltou a criticar a maneira como são conduzidos os cargos em empresas públicas no governos Lula, afirmando que nunca houve no país uma “fase de desindustrialização e desnacionalização como agora”.

"Há uma partidarização frenética do Estado brasileiro, está tudo aparelhado. Há um república sindicalista", disse, ao criticar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Serra citou os Correios como exemplo de empresa estatal que tem os cargos "loteados". "É a privatização do Estado, a apropriação de agências públicas para fins privados", falou o presidenciável.

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