Para driblar legislação eleitoral, foram usadas imagens de Serra no "Encontro dos Partidos", que contou com a participação do DEM

O programa eleitoral gratuito exibido nesta quinta-feira era do DEM, mas a estrela acabou sendo o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB). Ele ainda não é oficialmente o representante da coligação a ser formada entre o PSDB e DEM, já que esta só poderá ser confirmada após a convenção dos partidos marcada para junho.

A fim de driblar a Justiça eleitoral, Serra apareceu em imagens do lançamento da pré-campanha realizado em Brasília em 10 de abril. O evento teve como nome oficial “O Encontro dos Partidos”, entre eles o DEM, o PSDB e o PPS

Produzido pelo marqueteiro de Serra, Luiz González, o programa foi bem diferente do formato usado pelo PT, no qual a candidata Dilma Rousseff foi apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tucano apareceu fazendo promessas na áreas de educação, meio ambiente e segurança pública.

Na tarde desta quinta-feira, o PT tentou barrar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o programa do DEM. O partido argumentou que a exibição se tratava de propaganda eleitoral antecipada. No inicio deste mês, o PT também foi acusado de usar o programa para promover o nome de Dilma.

Representantes do PSDB e do DEM criticaram o PT, mas não entraram com nenhum recurso na Justiça. Na oportunidade, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, chegou a dizer que “se tratava de um prejuízo irreparável”.

Serra também teve seu espaço garantido nos programas do DEM e do PSDB. Esta semana surgiu a possibilidade também de o PTB dar espaço para o candidato tucano em seu programa. O presidente nacional petebista, Roberto Jefferson, acertou, inclusive, que González será o responsável pelo vídeo.

Tática

Além de usar imagens de Serra no "Encontro dos Partidos", o programa exibido pelo DEM intercalou discursos do ex-governador de São Paulo com falas de integrantes do DEM. O primeiro a aparecer foi o deputado Paulo Bornhausen (SC), atual líder da bancada do DEM na Câmara dos Deputados.

No entanto, em seguida, surgiu Serra citando o slogan “O Brasil pode mais”. González utilizou parte do discurso em que conta a criação do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que Serra costuma dizer que “ajudou a tirar do papel”. Em seguida, foi exibida a declaração de uma manicure que se disse beneficiada pelo “seguro-desemprego”.

Depois, foi selecionado o trecho do discurso do evento “Encontro dos Partidos” em que Serra cita o Rodoanel, obra viária mais importante da sua administração em São Paulo. Nesse caso, foram utilizadas imagens do tucano olhando o mural com uma lista de trabalhadores que atuaram na obra.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), foi o segundo nome do seu partido aparecer no programa. Ele citou o PT, como partido que fomenta “a discórdia”. Em seguida, foi a vez de Serra fazer coro: “Não aceitamos o nós contra ele”.

Aliado de Serra em São Paulo, o prefeito paulistano Gilberto Kassab foi o penúltimo integrante do partido a aparecer no programa do DEM. Ele citou a parceria com o governo do Estado. Presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia apareceu por último, mesmo assim com uma frase bem curta do seu discurso no “Encontro dos Partidos”.

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