No mesmo dia, Dilma adota 2 discursos sobre tarifas

De manhã, petista disse ser difícil melhorar a saúde sem aumento de impostos. À tarde, defendeu desoneração

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


Na tarde desta segunda-feira, em entrevista ao “Programa do Ratinho” do SBT, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu a redução da carga tributária e a desoneração de diversos produtos como remédios, energia e da folha salarial. Horas antes, na rádio CBN, Dilma havia adotado um discurso completamente oposto, no qual defendeu a extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e disse que será muito difícil melhorar a saúde pública sem aumentar impostos.

“Houve uma grande campanha contra a CPMF, mas não vi resultado prático no bolso da população e houve perda da capacidade de fiscalização”, disse Dilma, de manhã, em entrevista à CBN, sem afirmar, no entanto, que pretendia reeditar o imposto.

A pré-candidata respondia a uma pergunta sobre saúde. Segundo ela, será muito difícil melhorar os serviços públicos na área sem aumento de impostos. Questionada sobre o assunto, Dilma respondeu: “Acho que vai ter que aumentar os recursos para a saúde. Acho que vamos ter que ser responsáveis. É impossível ter uma melhoria na saúde se não recompor o orçamento”.

À tarde, no SBT, Dilma adotou um discurso oposto. O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, questionou a candidata sobre o fato de uma dona-de-casa pagar R$ 40 de impostos a cada R$ 100 gastos no mercado.

“A reforma tributária é para simplificar tributos e tirar impostos da folha de pagamento, porque hoje um empresário ele é mais tributário quanto mais ele emprega. Isso é um absurdo. Sou francamente favorável a tirar toda a tributação possível da folha de salários. Sou a favor também de reduzir a incidência de tributo sobre questões fundamentais para o povo como alimentos, remédios e energia elétrica”, disse Dilma, acrescentando que também pretende desonerar os investimentos.

A declaração foi seguida de uma salva de palmas incentivada por um animador de auditório. Dilma e Ratinho rasgaram a seda para o presidente Lula, pelo fato de ter conseguido um acordo nuclear com o Irã. Ao responder sobre o que acha do presidente, Dilma não economizou: “é o maior político do mundo”. Seu adversário, José Serra (PSDB), também foi alvo de elogios. “Serra é um bom brasileiro. Um homem respeitado”.

A pré-candidata não foi tão generosa com os demais colegas de política. Perguntado sobre o que acha dos políticos, ela respondeu: “os políticos têm que melhorar muito para fazer face ao que o Brasil espera deles”.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, amigo de Lula, não goza do mesmo prestígio com Dilma. “Chávez é um dos presidentes com o qual teremos que conviver”, disse ela. Ratinho explorou temas como a origem mineira da ex-ministra que construiu carreira no Rio Grande do Sul, a imagem de durona construída ao longo do governo e até o novo corte de cabelo da pré-candidata, mais curto e com um tom aloirado, obra do cabeleireiro Celso Kamura.

“Aquele japonês chato. Foi ele que consertou este cabelo”, brincou Ratinho

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