No Maranhão, diferença mínima garante vitória a Roseana

Candidata do PMDB é reeleita em primeiro turno com 50,1% dos votos válidos, contra 29,5% de Dino e 19,5% de Lago

Wilson Lima,IG maranhão |

Após ter sido derrotada em 2006 por Jackson Lago (PDT), a família Sarney volta ao poder por meio do voto popular e mantém uma das únicas hegemonias políticas familiares em todo o Brasil. Com essa vitória, Roseana Sarney (PMDB) partirá para o quarto mandato, o segundo consecutivo e, provavelmente, o último de sua história política conforme ela mesmo afirmou durante a campanha de 2010. Com 99,9% dos votos apurados, Roseana ganhou no primeiro turno por uma margem mínima de 50,1% dos votos, contra 29,5% de Flávio Dino (PC do B) e 19,5% de Jackson Lago (PDT).

O domínio da família Sarney no Maranhão foi iniciada em 1966, quando o hoje presidente do Senado, José Sarney (PMDB), assumiu pela primeira e única vez o governo do Estado do Maranhão. Na época, Sarney acabou com a chamada era Vitorinista no Estado. Vitorino Freire comandou politicamente o Maranhão durante 20 anos, entre 1945 e 1965.

AE
Roseana Sarney chega para votar no Colégio Santa Tereza, em São Luís

Depois de seu primeiro mandato, os oito governadores que sucederam José Sarney tiveram apoio direto do pemedebista: Pedro Neiva, Nunes Freire, João Castelo, Luís Rocha, Epitácio Cafeteira, Edson Lobão, Roseana Sarney (dois mandatos) e José Reinaldo Tavares. Alguns deles romperam após serem eleitos com a ajuda de Sarney mas depois se reconciliaram, como Epitácio Cafeteira, que venceu em 1986 com 80% dos votos. Outros resolveram romper com o grupo Sarney de forma definitiva, como João Castelo, hoje prefeito de São Luís pelo PSDB, nomeado governador na década de 70 e José Reinaldo Tavares. Tavares, hoje candidato ao senado pelo PSB, foi ex-ministro de Transportes do governo Sarney e eleito governador, com a anuência do grupo Sarney, em 2002.

A primeira eleição de um candidato não apoiado pelo grupo Sarney, Jackson Lago (PDT) em 2006, foi construída a partir de 2003. Na época, José Reinaldo rompeu com a família Sarney e iniciou um processo de costura de acordos políticos visando a eleição de um candidato não ligado ao grupo. Em 2003, pela primeira vez, o grupo Sarney perdeu a presidência da Assembléia Legislativa, quando o tucano João Evangelista (já falecido) foi eleito. A eleição de Evangelista foi um dos fatores que abriram um cenário favorável a acordos entre o governo do estado e os prefeitos maranhenses para apoiar o próximo candidato ao governo do Estado indicado por Tavares.

Nas eleições de 2006, Roseana teve 1,2 milhões de votos no primeiro turno, contra 933 mil de Jackson Lago e 387 mil votos de Edson Vidigal, que também disputava aquela eleição. Os outros candidatos na disputa tiveram, somados, cerca de 112 mil votos válidos. No segundo turno, Roseana perdeu para Lago por uma diferença de 98 mil votos.

Roseana reassumiu o governo em abril do ano passado, após o pedetista Jackson Lago ter sido cassado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por crimes de corrupção eleitoral. Lago foi acusado de ter sido beneficiado de um esquema de captação ilícita de sufrágio no Estado. Esse esquema, conforme a acusação dos advogados do PMDB, foi montado pelo então governador José Reinaldo Tavares.

CAMPANHA
Durante a campanha de 2010, Roseana focou em propostas já conhecidas dos maranhenses, como projetos de ampliação do setor educacional ou de segurança pública. Na reta final, Roseana intensificou suas promessas à ações assistenciais como a doação de fardamento escolar e a ampliação dos programas Viva Água e Viva Luz. Projetos que pagam a conta de água e luz, respectivamente, de famílias consideradas pobres.

Roseana também resgatou algumas promessas antigas como a construção de uma ponte em São Luís, rebatizada de 4º centenário. Ela também adotou como lema de campanha a construção de avenidas em São Luís e a ampliação de aeroportos na capital e no interior. Assim como ocorreu em campanhas anteriores, Roseana não foi poupada das críticas. Tanto Lago, quanto Dino, centraram fogo nos péssimos indicadores econômicos e sociais do Estado, atribuindo à governadora a responsabilidade por esses índices.

Roseana também foi alvo de paródias e ironias dos candidatos. Lago utilizou uma sósia de Roseana em seu programa eleitoral para ridicularizar a pemedebista. Dino chegou a até chamá-la de “onça”, de forma indireta, em um comício no interior. O comunista negou que tivesse chamado a governadora de “onça” em praça pública. O comunista também ironizou o pedido de Lula para que Roseana “não baixasse o nível da campanha”.

A campanha de Roseana também foi sacudida pela ligação feita, pela Polícia Federal, de envolvimento da sua coligação, “O Maranhão não pode parar”, com uma médica presa acusada de compra de votos na periferia de São Luís. A médica foi flagrada realizando consultas com santinhos da pemedebista. A coligação negou qualquer envolvimento com o caso.

Apesar disso, a coligação “Muda Maranhão”, de Flávio Dino, já impetrou com aproximadamente dez representações no Ministério Público Eleitoral (MPE) requerendo investigações de possíveis condutas vedadas que teriam sido cometidas pela coligação de Roseana. Destas dez representações, duas já se transformaram em procedimento administrativo investigatório do MPE.

BIOGRAFIA
Nascida em 1º de julho de 1953, agora a socióloga formada pela Universidade de Brasília (UNB) e mãe de uma menina Roseana Sarney partirá para o seu quarto mandato como governadora do Estado. A primeira vez que ela foi eleita governadora do Estado foi em 1994. Na ocasião, ela venceu as eleições em segundo turno contra Epitácio Cafeteira por apenas 18,2 mil votos. Essa eleição foi marcada por algumas denúncias de fraude que teriam beneficiada a candidata.

Em 1998, Roseana voltou a se candidatar e se reelegeu com 66,46% dos votos (1 milhão de votos válidos), contra o adversário das eleições anteriores, Epitácio Cafeteira. Em 2002, Roseana parte para a disputa ao senado, vence as eleições e ainda consegue fazer o seu sucessor. No caso, José Reinaldo Tavares. Antes de ser eleita governadora pela primeira vez, Roseana já tinha um mandato como deputada federal (90-93).

Para manter-se no governo do Estado, Roseana conseguiu articular um apoio irrestrito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também da maioria dos prefeitos do Maranhão. Um total de 93% dos prefeitos maranhenses declaram apoio à governadora nessa campanha. Sobre Lula, em todos os programas eleitorais, no rádio e na TV, a candidata exibiu uma mensagem do presidente pedindo votos a ela. Na semana passada, o PMDB divulgou ate uma entrevista feita por Lula, com Roseana. Na entrevista, Lula até aconselhou a governadora a “não baixar o nível”, em referência aos ataques na campanha.


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