No ES, candidatos do PT resistem em apoiar Malta

Divergências regionais são motivo para postulantes da sigla não pedirem voto para senador do PR, que faz parte da mesma aliança

Samia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

Candidato à reeleição pelo Espírito Santo, o senador Magno Malta (PR) tem enfrentado a indiferença de petistas que concorrem a cargos proporcionais da coligação de apoio à candidatura de Renato Casagrande “Juntos pelo Futuro” ao governo do Estado. Malta é o segundo candidato ao Senado pela aliança formada pelo PT e outros quinze partidos, que tem ainda o vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB) como concorrente à primeira vaga da chapa ao Senado.

O presidente do PT no Estado, deputado estadual Givaldo Vieira, que também é candidato a vice de Casagrande, afirma que a falta de apoio ao republicano trata-se de um “problema localizado” em duas cidades do Estado. “Há candidatos que são ligados a projetos municipais do PT em Cachoeiro do Itapemirim e Colatina, onde a relação de Magno com a administração não é boa”, disse.

De acordo com Vieira, os mais reticentes a apoiar Malta são os candidatos a deputado estadual, Rodrigo Coelho e Genivaldo Lievore. Coelho é ex-secretário de Governo da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim e Lievore é vereador de Colatina. “Há divergências do senador com projetos políticos locais. Isso é muito comum acontecer”, minimizou. “Mas o fato não tem abalado a relação do PT com o senador”, completou.

Candidata à reeleição pelo PT, a deputada federal Iriny Lopes, também demonstra reticência em apoiar o republicano. Em seu panfleto de campanha estão estampadas as logomarcas de todos os postulantes à candidatura majoritária da aliança, incluindo a da candidata à Presidência Dilma Rousseff , de Casagrande e de Ferraço. A exceção é o logo de Malta.

Vieira afirmou não saber se o fato foi um “lapso ou uma decisão realmente”. “O próprio Magno reclamou comigo, mas não acredito que haja algum problema real”, disse.

De acordo com a assessoria de Malta, o senador tem um bom trânsito com os candidatos do PT e não há mau relacionamento com a deputada, que teria pedido material de campanha do republicano para fazer campanha. A assessoria também informou que o PT tem se mostrado “feliz”com a campanha feita pelo senador em prol de Dilma no Estado, onde ela vem aparecendo atrás de José Serra (PSDB) nas pesquisas.

Segundo Vieira, a orientação é de que todos os candidatos apoiem os concorrentes a cargos majoritários da aliança. “Estamos tentando contornar a situação, colocando-a como uma perspectiva mais global, para que o processo local seja deixado de lado, pois nesse momento a eleição é estadual e nacional.”

Reviravolta

O atual primeiro candidato ao senado pela coligação “Juntos pelo Futuro”, Ricardo Ferraço (PMDB), vice do atual governador Paulo Hartung (PMDB), era considerado o candidato natural à sua sucessão.

Porém, um acordo entre Casagrande, até então da oposição, Hartung e Ferraço, fez com que o governador apoiasse o candidato do PSB e desistisse da candidatura ao Senado, transferindo a vaga para Ferraço.

Analistas políticos apontam que o maior problema na coligação governista é a falta de proximidade entre o governador e Magno Malta. Por esse motivo, haveria a possibilidade de aliados do governo apoiarem Rita Camata (PSDB), candidata da oposição ao Senado, o que confundiria os eleitores.

Liderança

Em recentes pesquisas , Malta aparece como líder na corrida pelas duas vagas ao Senado. O último levantamento do Ibope no Estado, realizado entre 17 e 20 de julho, apontou o republicano com 53% das intenções de voto seguido por Ferraço, com 49%, e a tucana Rita Camata, que aparece em terceiro lugar com 30% das intenções de voto.

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