Nenhuma eleição presidencial no País teve virada no 2º turno

Se na disputa à Presidência virada na segunda etapa é inédita, 29% dos candidatos a governador conseguiram reverter cenário

Alessandra Oggioni, iG São Paulo |

Se conseguir ultrapassar a petista Dilma Rousseff e se eleger no próximo dia 31, o presidenciável tucano José Serra terá concretizado uma virada inédita no Brasil. Desde que foi introduzida no País a eleição em dois turnos, nunca um candidato à Presidência que tenha ficado em segundo lugar na primeira etapa de votação conseguiu virar o jogo e sair vitorioso das urnas na segunda etapa.

A Constituição de 1988 definiu que os candidatos a cargos executivos precisam obter a maioria dos votos válidos para vencer o pleito em primeiro turno - exceto nas eleições municipais para cidades com até 200 mil eleitores. Desde então, as cinco eleições presidenciais realizadas até aqui sempre tiveram segundo turno. No entanto, nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 1990, 1994 e 1998, nem José Serra (PSDB), em 2002, e nem Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006, conseguiram reverter o quadro desfavorável na segunda fase e acabaram amargando a derrota.

Já nas eleições ao governo de Estado, o cenário é diferente. Nesse caso, 29% dos candidatos conseguiram virar o jogo, aponta o cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise.

Um dos casos de maior destaque foi o do pleito de 1998, em São Paulo, quando o ex-governador Paulo Maluf (PPB) saiu do primeiro turno da disputa estadual com 32,21% dos votos válidos contra 22,95% do então governador Mário Covas (PSDB), mas foi ultrapassado pelo tucano na etapa final, por pouco mais de 10 pontos percentuais. “Maluf tinha uma alta rejeição, que o impediu de crescer no segundo turno”, diz Almeida.

Ele explica que, nas 20 eleições para governador nas quais o segundo colocado da primeira etapa ultrapassou o adversário e venceu a eleição, a distância média em votos válidos era de 7,15 pontos porcentuais. Nas eleições sem virada, a distância média foi de quase 10 pontos percentuais.

Isso significa que quanto maior a vantagem do candidato que ganhar o primeiro turno abrir sobre o oponente, maiores são as chances de que ele vença o pleito também no segundo turno. “Isso indica que a estrutura básica de decisão do voto é formada durante o primeiro turno. É por isso que, em geral, não se tem menos votos no segundo turno. O Geraldo Alckmin é um dos poucos que conseguiu esta proeza na eleição presidencial de 2006”, lembra Almeida a respeito do resultado do pleito daquele ano, quando o tucano teve desempenho pior na segunda etapa (39,17% dos votos válidos) com relação à primeira (41,64%) e foi derrotado por Lula.

Chances

Com base nessa análise, Almeida acredita que Dilma precise apenas de três pontos percentuais a mais de votos válidos para vencer as eleições. Para vitória de Serra, seriam necessários 17 pontos percentuais de crescimento nesta segunda etapa, na conta do cientista político. “O Serra, para vencer, precisa tirar votos que são de Dilma”, diz.

Já nos Estados, Almeida avalia que há possibilidade de virada em Alagoas neste segundo turno. Ele afirma ainda que os votos do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB) tendem a migrar para o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), o que pode derrotar o atual governador Teotônio Vilela (PSDB), que teve 39,6% votos válidos no primeiro turno, contra 29,2% de Lessa.

Almeida também diz identificar probabilidade de mudança de resultado na Paraíba, onde a diferença entre os candidatos foi bastante pequena, com Ricardo Coutinho (PSB) com 49,7% dos votos válidos e Zé Maranhão (PMDB), com 49,3%.

Histórico nos municípios

No quadro de viradas em âmbito municipal, o estudo do Instituto Análise mostra que nas capitais 12% dos candidatos que perderam no primeiro turno conseguiram vencer no segundo. Já nas prefeituras das demais cidades, o índice foi um pouco maior: 29% reverteram a situação na segunda etapa.

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