¿Não tenho como desaparecer¿, diz Lula sobre futuro

Presidente diz que tem 'muita coisa para fazer no Brasil', mas não quer ter tarefa nem no governo nem no partido

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Após votar em uma escola estadual de São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo que ainda tem “muita coisa para fazer no Brasil” e que não pode simplesmente “desaparecer” depois que deixar a Presidência.

“Quero voltar a viajar o Brasil porque tem muita coisa que a gente começou, muita coisa que foi concluída, muita que não foi concluída, e eu não tenho como desaparecer da minha relação com a sociedade de uma hora para outra. Quero continuar viajando o Brasil, continuar ajudando o Brasil, ajudando a política. Sou um ser humano político”.

Lula disse também que pretende usar sua experiência no governo para trabalhar pela integração dos países da América Latina e da África. Embora não tenha dado detalhes sobre como pretende fazer essa aproximação, Lula descartou que as tarefas serão assumidas dentro do próximo governo ou do PT – no encerramento do primeiro turno, o petista chegou a declarar que pretendia atuar dentro do partido para encaminhar a reforma política no Congresso.

“Vou ter muita tarefa. A única coisa que não quero é ter tarefa dentro do governo. E também não dentro do partido, porque não quero voltar para dentro do partido”, disse agora.

Em setembro, o iG revelou que o presidente procurava um imóvel em São Paulo para instalar um escritório a partir de onde pretende manter seu protagonismo no cenário político depois que deixar o governo. O local preferido é a Vila Clementino, bairro de classe média na na zona sul paulistana, onde ficava o comitê eleitoral do presidente na campanha de 2002. O local é próximo do aeroporto de Congonhas e também tem fácil acesso a São Bernardo do Campo, para onde o presidente voltará depois do mandato.

Neste domingo, Lula se esquivou quando questionado se pretendia se candidatar novamente a algum cargo político daqui a quatro anos. “Não sei se estarei vivo em 2014. Depois dos 65 anos, não posso ficar fazendo prognóstico por muito tempo. Minha vontade agora é descansar”, brincou.

Pijamas

Mal colocou os pés na escola estadual Doutor João Firmino Correia de Araújo, sua seção eleitoral, Lula recebeu de presente um pijama e pantufas com o símbolo do Corinthians para aproveitar a “aposentadoria” após deixar a Presidência. A “homenagem” foi feita pelo humorista Rafinha Bastos, do programa CQC, da Band – que disputava atenção do presidente com a rival Sabrina Sato – do Pânico na TV (RedeTV) – e seu curtíssimo vestido preto.

Tentando demonstrar bom humor, o presidente teve que se dividir entre perguntas feitas por jornalistas que acompanhavam a votação e as provocações feitas pelos apresentadores de TV. Teve de se esquivar, por exemplo, de “questionamentos” feitos por Rafinha – entre os quais, se havia deixado produtos masculinos para sua sucessora nas dependências do Palácio do Planalto.

Sato chegou a perguntar ao presidente o que ele pretendia fazer da vida depois que ficasse “desempregado”, a partir de 1º de janeiro. Lula se convidou a trabalhar com a apresentadora na TV e, mais tarde, admitiu que não vê a hora de colocar a camisa do Corinthians e assistir a alguma partida de seu time do coração das arquibancadas.

Lula disse contar também que, a partir do ano que vem, voltará à sua normalidade – “com a (primeira-dama) Marisa Letícia tendo mais poder que eu”. “A situação que estou vivendo agora que é anormal”.

Lula aproveitou para fazer um balanço de sua gestão na Presidência e disse que está deixando o cargo em uma situação “confortável”. “Veja quantas vezes você elegia um presidente, depois você pegava uma estrada e você via em todas as pontes, em todos os muros: ‘Fora Fulano de tal’, ‘Fora Beltrano’. E eu vou terminar mandato de oito anos e graças a Deus temos 3% de brasileiros, que devem estar todos no comitê dos adversários, considerando o governo ruim ou péssimo”.

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