'Não sou o Rojas para fazer firula', diz Dilma sobre agressões

Candidata do PT à Presidência da República ironiza adversário e afirma que não pretende se fazer de vítima

Ricardo Galhardo, enviado a Porto Alegre |

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , reagiu com ironia às hostilidades sofridas nesta quinta-feira em Curitiba e insinuou que o adversário tucano José Serra , agredido ontem quando fazia campanha no Rio, se aproveitou do fato para criar um factóide.

Numa referência implícita a Serra, que ontem chegou a fazer uma tomografia depois de ser agredido por militantes do PT , Dilma disse que ao contrário do goleiro chileno Roberto Rojas, não pretende usar as agressões para se fazer de vítima.

“Eu não sou o Rojas para ficar fazendo firula com isso. Hoje quase levei uma daquelas bexigas de água mas não levei porque ao contrário do Rojas eu esquivei-me”, ironizou.

Na internet petistas têm comparado a reação de Serra ao episódio protagonizado por Rojas durante uma partida entre Brasil e Chile, em 1989, válida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo. Na ocasião o goleiro chileno se aproveitou de um sinalizador atirado por uma torcedora no gramado do Maracanã para encenar um ferimento. Depois de desvendada a farsa o goleiro foi banido do futebol.

Dilma disse que chegou a ser atingida com uma bandeirada na mão e insinuou que, ao contrário do adversário, o fato foi testemunhado por jornalistas.

“Uma daquelas cabos-eleitorais que seguram bandeiras, um daqueles avulsos, me acertou a mão. Acredito que essa campanha não pode se pautar por níveis de agressão nem por tentativas de criar factóides. No meu caso foi absolutamente presenciado por jornalistas. Não fui eu quem foi lá falar que tinha acontecido, não. Nem ninguém pode falar que foi bola de papel”, disse a candidata.

Segundo ela, a vitimização serve para tumultuar ainda mais o ambiente político. Dilma insinuou que o adversário criou um fato para ser explorado eleitoralmente o que, de acordo com ela, é uma tática de campanha da extrema direita.

“Não contribui para os ânimos se acalmarem ficar acirrando. Sou a favor de uma campanha de alto nível. Tem um método muito tradicional na política conservadora e de direita que é criar fatos e acusar o lado de lá de violência. Isso é típico de uma campanha direitista”, disse.

A petista associou a campanha de Serra à extinta Sociedade Brasileira de defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), entidade de extrema direita com viés religioso que deu sustentação ao golpe militar de 1964.

“ Um jornal importante disse que em uma reunião do PSDB um panfleto distribuído era da TFP um dos organismos que tinha uma característica mais intolerante e retrógrada do Brasil. Depois descobrimos em uma gráfica um panfleto que quem está por trás também é a ultra-direita do Brasil”, disse ela.

Violação de sigilo

Dilma eximiu sua campanha de responsabilidade na violação dos sigilos fiscais de pessoas ligadas ao PSDB como Verônica, filha de Serra. Segundo ela, a responsabilidade pela contratação do jornalista Amaury Ribeiro Jr. é de Luiz Lanzetta, dono da Lanza, empresa que prestou serviços à pré-campanha petista.

“Não temos responsabilidade por uma empresa. Ele (Lanzetta) nunca coordenou coisíssima nenhuma. Nem a pré-campanha. Ele foi contratado para prestar serviços. A responsabilidade (pela contratação de Ribeiro) é estritamente dele”, disse Dilma.

Política econômica

A candidata afirmou que a população deve desconfiar das promessas de Serra de aumentar para R$ 600 o salário mínimo pois, segundo ela, a promessa contraria a prática tucana no governo.

“O Brasil tem de se proteger com uma política anti-dumping e manter a inflação estritamente sob controle. Por isso, toda a e qualquer proposta que diz que vai aumentar o gasto mas não diz quem é que vai financiar a gente também deve olhar com muita desconfiança. Principalmente partindo de quem parte porque o governo tucano se caracterizou por uma política de arrocho salarial”, disse ela. Questionada sobre o fato de Serra ter fixado, em São Paulo, um piso salarial maior do que o nacional ela respondeu com outra pergunta: “Ele deu R$ 600? Não”.

A candidata também cobrou explicações do tucano sobre declarações dadas em entrevistas de que fará amplas mudanças na política econômica. “No mínimo ele tem que dizer o que ele vai mudar até para tranqüilizar os eleitores. Porque a essa altura começar a falar que vai fazer modificações na política econômica sem dizer o que cria um nível de desconfiança muito ruim”.

E voltou a bater na tecla das privatizações. “Eles venderam R$ 100 bilhões de patrimônio público e a dívida pública cresceu de 30% para 60% do PIB. Então me pergunto, que gestão financeira é essa?”

Segundo Dilma o Brasil deve se defender mas não pode entrar na guerra cambial internacional que, de acordo com ela, já fracassou no passado e levou países à guerra de fato.

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