Não somos fiscais do INSS, diz Dutra sobre notas frias

O presidente nacional do PT procurou desviar o foco de nova denúncia envolvendo o núcleo de comunicação da campanha de Dilma

Agência Estado |

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, procurou tirar o partido do foco de nova revelação envolvendo o núcleo de comunicação da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo afirma que a campanha petista remunera jornalistas e técnicos por meio de notas fiscais frias emitidas por uma microempresa sem funcionários. "Não somos fiscais do INSS. A Lanza não trabalha só conosco. Isso é uma relação privada", reagiu Dutra.

As notas fiscais foram emitidas pela Cinco Soluções, aberta em 3 de março em nome de Jeová Alves de Sousa Jr. Ele teria dito que trabalha em nome da Lanza, do jornalista Luiz Lanzetta. A Lanza foi contratada pelo diretório nacional do PT, em Brasília, e Lanzetta foi afastado da campanha na semana passada em meio à suspeita de articular a produção de um dossiê contra o pré-candidato tucano José Serra.

Dutra disse ainda que o contrato com a Lanza, que vence no final do mês, está sendo desfeito. Segundo o presidente do PT, a Pepper é que vai passar a pagar os funcionários da campanha de Dilma. O presidente reiterou que Lanzetta nunca foi assessor de Dilma ou cuidou da parte de comunicação da campanha, e que a Lanza apenas pagava mão de obra.

Em Tiradentes (MG), Dilma rebateu a denúncia. "Você está confundindo meu filho. Na minha campanha não tem notas frias", disse.

Segundo reportagem, todos os profissionais da Lanza que trabalham na áreas de imprensa e internet não mantêm vínculos empregatícios com a Lanza e, para efetuar a maioria dos pagamentos, a empresa utiliza notas fiscais da Cinco.

Em nota, a Lanza afirmou que "recolhe e sempre recolheu todos os tributos incidentes sobre a sua atividade, nunca tendo sido autuada por quaisquer autoridades fiscais". A empresa, na nota, disse ainda que é a própria Lanza quem teve a iniciativa de rescindir unilateralmente o contrato que mantinha com o Partido dos Trabalhadores e que se esgotaria em 30 de junho.

"Os profissionais estavam prestando serviços provisórios, dentro de um prazo máximo de três meses, que era a duração do contrato com o Partidos dos Trabalhadores". Sobre a Cinco, a Lanza informou que a empresa presta serviços regularmente e tem sede comercial no bairro Sudoeste, em Brasília.

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