"Não serei o presidente de um partido", diz Serra

Depois de convidar PT e PV para integrar governo, José Serra volta a pregar unidade em benefício do País

Andréia Sadi e Priscilla Borges, iG Brasília |

Determinado a não se colocar como a antítese do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial deste ano, o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, José Serra, retomou na manhã desta quarta-feira o discurso da união de forças entre os partidos em benefício do País. Diante de uma plateia de prefeitos, em Brasília, o presidenciável tucano investiu na tese de que, se eleito, não será o "presidente de um partido".

"Eu, quando era ministro da saúde, dizia que não sou do PSDB, sou do partido da saúde do Brasil. E, no governo federal, não vou ser presidente de um partido, do PSDB. Vou ser presidente da nação brasileira", emendou o ex-governador paulista.

Há apenas algumas semanas, durante um debate promovido pelo Congresso Mineiro de Municípios, Serra já havia convidado o PT e o PV a integrarem um eventual governo seu, caso consiga se eleger presidente da República. Desta vez, o ex-governador preferiu aproveitar a oportunidade para destacar novamente seu desempenho à frente do Ministério da Saúde, durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. 

“Um dos grandes atrasos do Brasil, a meu ver, está na área de saúde. Vamos nos dar as mãos independentemente da filiação partidária", declarou o tucano. “Não pedi carteirinha de partido para ninguém. No Ministério da Saúde, liberava tudo sem olhar partidos políticos”, emendou o ex-governador, que foi o primeiro a se pronunciar durante a sabatina realizada em Brasília com os três principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto. O evento faz parte da Marcha em Defesa dos Municípios e tem também a presença da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff (PT) e da senadora Marina Silva (PV-AC).

Apesar de pregar a união, Serra disse que o Ministério da Saúde está hoje loteado politicamente e defendeu uma recuperação da “aceleração da saúde”. Pediu ainda o fim do que chamou de “romaria” dos prefeitos em busca de recursos, dizendo que o governo federal voltou a centralizar receitas.

O pré-candidato descartou a possibilidade de criar um novo imposto, como perguntado pelos prefeitos, para garantir recursos para a área social. “A carga tributária no Brasil já é muito alta. Não dá para ficar criando novas contribuições para cada problema. Precisamos de melhor gestão”, disse.

Os prefeitos receberam inúmeros afagos do candidato, que afirmou, por mais de uma vez, que os municípios precisam ser mais valorizados e apoiados. “Quem mais investe no Brasil são os municípios. Os municípios são o lado enfraquecido das discussões”, declarou. Serra prometeu que, se eleito, sentará com os prefeitos para discutir formas de reduzir perdas de receitas e garantir mais investimentos.

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