Na TV, Serra compara biografias e Dilma reforça apoio de Lula

No último dia da propaganda eleitoral, Lula diz que eleitor de Dilma votará 'um pouquinho' nele

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

No último dia de propaganda eleitoral gratuita na TV, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra , segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, reforçou a estratégia de comparar sua trajetória política com a da adversária Dilma Rousseff (PT). A presidenciável petista, por sua vez, encerrou sua campanha na TV do mesmo jeito que a iniciou: recorreu novamente ao presidente Lula; desta vez, praticamente ignorou o rival tucano e adotou tom emotivo para pedir ao eleitor para que escolha, no próximo domingo, a primeira mulher presidente do Brasil.

Ambos os programas recorreram ao Hino Nacional e listaram promessas feitas ao longo da campanha – como o salário mínimo de R$ 600, do lado tucano, e o compromisso de eliminar a miséria do País, do lado petista. Num momento em que o aborto virou tema central da campanha, os candidatos fizeram menções aos cuidados que seus eventuais governos se empenharão para todas as mães e crianças desde o nascimento. Ambos fizeram também referências à questão do meio ambiente, principal bandeira de Marina Silva (PV), candidata que recebeu quase 20% dos votos no primeiro turno.

O programa tucano, que abriu a propaganda, levou ao ar imagens da trajetória do candidato desde o movimento estudantil. Fotos de Serra ao lado de lideranças como João Goulart, nos anos 1960, eram mostradas enquanto o narrador dizia ao fundo que Dilma não tivera protagonismo em momentos históricos do País. Serra foi apresentado como o candidato que lutou pelas Diretas-Já e pelo Plano Real. Já a petista, dizia o narrador, “nunca disputou uma eleição e chegou até aqui pela mão de seu padrinho político”.

“Em toda a minha vida, nunca consegui nada de mão beijada”, afirmou Serra na propaganda. “Trabalhei muito para chegar até aqui. E não teria sido eleito e reeleito pelo povo se não tivesse trabalhado direito.” O tucano levou ao ar testemunhos de apoio dos governadores Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL) e Aécio Neves (PSDB-MG) e dos eleitos Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Rosalba Ciarlini (DEM-RN), Beto Richa (PSDB-PR), Raimundo Colombo (DEM-SC), Antonio Anastasia (PSDB-MG), além dos pastores José Wellington Bezerra e Silas Malafaia, do jurista Hélio Bicudo, da escritora Ruth Rocha e do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ).

O programa petista, por sua vez, concentrou todos os testemunhos em apoio à ex-ministra no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral da candidata. Boa parte do programa foi dedicada à biografia do presidente e aos números de sua administração, enquanto a trajetória da ex-ministra ficou de lado. Lula foi apresentado na narração como o único entre os 35 presidentes – “homens”, ressaltou a propaganda – que o Brasil já teve “que veio do povo” e “entende de povo”.

No vídeo, Lula relembrou do dia em que deixou sua casa, no sertão pernambucano, e seguiu em direção a São Paulo sobre um pau-de-arara. Disse que não sabia qual seria seus destino, mas que contou com a “generosidade de Deus” para conseguir melhorar a vida de sua família e também “de uma família imensa chamada Brasil”.

“Se houve alguém do meu lado que fez o possível e o impossível pra me ajudar nisso, foi a Dilma”, disse Lula, que classificou a candidata de “guerreira”. Lula disse também que, quando visse o “retratinho da Dilma” na tela da urna eletrônica, o eleitor estaria votando “na candidata mais preparada para presidente”. “E vai estar votando um pouquinho em mim”, afirmou.

Tentando demonstrar emotividade, a propaganda ressaltou a despedida do presidente do cargo e fez um apelo à fé ao dizer que “se o povo brasileiro quiser e Deus permitir”, as obras do atual governo serão mantidas na próxima administração.

A campanha petista prometeu que o “Brasil de Dilma” será de “paz e alegria para suas crianças”, que terão garantida a “dignidade desde que cada coraçãozinho começar a bater na barriga da mãe” até a creche.

Serra também falou em maternidade ao dizer que o novo Brasil, representado pela sua candidatura, nasceria nas salas de aula e também “a cada dia com a emoção do parto, com crianças e mães que precisam de muito mais atenção à saúde”. Logo no início, a propaganda levou ao ar também uma fala da mulher do candidato, Mônica Serra, que relatou os “talentos” do marido como pai quando precisava trocar fralda e colocar os filhos para dormir.

A propaganda tucana foi encerrada com uma espécie de show de auditório em que artistas dançavam ao som de “Serra é do bem”.

Já Dilma levou ao ar uma orquestra em que o Hino Nacional era tocado entre tambores e violinos – enquanto, ao fundo, surgia a inscrição “eu vou eleger a primeira mulher presidente do Brasil”.

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