Em referência a visita ao Alemão, verde diz que o medo de metralhadora não o afastará das comunidades dominadas por tráfico armado

Depois de criticar o atendimento na área de saúde pública no Rio em seu programa eleitoral desta quarta-feira (1) no rádio, o candidato ao Governo do Rio pelo PV, Fernando Gabeira, voltou a falar de segurança em sua propaganda na televisão à tarde. Já Sérgio Cabral (PMDB), que busca a reeleição, reprisou o programa em que defende o Bilhete Único e apresenta obras concluídas pelo seu governo.

O candidato verde, que foi cercado por traficantes armados em visita ao Complexo do Alemão, zona norte, há cinco dias disse em seu programa, sem citar o episódio, que armas não intimidam sua campanha, já que teria perdido “rim, fígado e intestino” em sua luta contra a ditadura militar.

“Fui metralhado uma vez, tenho muito medo de metralhadora, mas nós continuaremos o nosso trabalho porque o Rio precisa se livrar desse domínio”, afirmou Gabeira. 

O verde prometeu dar continuidade à pacificação de favelas dominadas pelo tráfico armado por meio das chamadas UPPs, implantadas durante a gestão de Cabral. No entanto, defendeu que não se pode resolver o problema da violência só com as unidades policiais.

Gabeira ressaltou a importância da presença do Estado nessas comunidades e garantiu que, se eleito, ocuparia todas as áreas públicas do Rio. “Se entro em todos os lugares como candidato, imagine como governador”, argumentou o candidato do PV.

Por sua vez, o governador Sérgio Cabral, em reprise de programas já exibidos, voltou a falar de transporte público e de políticas para o agronegócio no interior do estado, com destaque para a produção de leite. O programa repetido mostra obras concluídas em hospitais, como o de São João de Meriti, e até mesmo uma mensagem gravada por Lula, em que o presidente aparece dizendo que Cabral “é pura emoção” foi reprisada.

Garotinho é garoto-propaganda no programa de Peregrino

O candidato do PR ao Governo do Rio, Fernando Peregrino, aproveitou o horário eleitoral para dividir o programa com o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que se beneficiou do espaço para falar de suas realizações quando era chefe do governo do Estado do Rio.

Peregrino apareceu em seguida prometendo voltar com todas as políticas implantadas por Garotinho. O juiz de fiscalização de propaganda Paulo César Vieira pediu cópia das fitas para analisar se aparição do ex-governador do PR, que concorre a vaga de deputado federal, segue as normas da lei.

A presidente da comissão de direito eleitoral da OAB-RJ, Vânia Aieta, diz que o caso depende de interpretação, já que, em tese, Garotinho e Peregrino não poderiam aparecer no horário eleitoral no mesmo dia da semana, por concorrerem a cargos distintos. Contudo, diz, o artigo 54-A, Lei 12.034/09, permite “depoimento de candidatos a eleições proporcionais (caso de Garotinho) na propaganda majoritária (Peregrino)” do mesmo partido ou coligação, desde que o convidado peça voto a quem cedeu o tempo.

“Se ele (Garotinho) não ligou para o Peregrino e só falou de si próprio, está errado. Mas, se ele falou bem de sua gestão como governador e colocou o Peregrino como extensão de seu governo, está perfeito. Esse artigo é uma quina, o legislador criou essa brecha”, avalia Aieta.

Por sua vez, Jefferson Moura, candidato ao Governo pelo PSOL, aproveitou seu um minuto na TV para lembrar que foi de seu partido a iniciativa de propor a cassação do ex-chefe da Polícia Civil e deputado estadual Álvaro Lins. A ação foi uma resposta ao programa do candidato ao Senado pelo PMDB Jorge Picciani, presidente da Alerj, que, em inserções anteriores, usou o assunto para mostrar sua produtividade no comando da Casa.

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