Na TV, Dilma defende alianças do PT com ex-adversários políticos

Ex-ministra abriu a série de entrevistas na TV Globo e falou sobre a época que ocupou o ministério do governo Lula

Andréia Sadi, iG Brasília |

Durante a sua participação no Jornal Nacional, da TV Globo, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , defendeu nesta segunda-feira (9) as alianças do PT com antigos adversários políticos, como o presidente do Senado, José Sarney, o senador Renan Calheiros e o ex-presidente Fernando Collor de Mello, nesta candidatura. "Eu acho que o PT acertou quando percebeu que para governar um País com a complexidade do Brasil implica em construir uma aliança ampla. (..) O PT não tinha muita experiência de governo e agora tem. Nós não erramos”, justificou.

Agência Estado
Dilma admite ser dura, mas negou maus tratos a colegas durante período em que ocupou a Casa Civil

Ao responder sobre as críticas de que teria temperamento forte, Dilma disse que existem “visões construídas”. Dilma, que ganhou a fama durante a fase em que ocupou o ministério da Casa Civil, negou que tenha maltratado colegas no período. “Lula disse que eu era dura, ele não falou em mal tratar”, respondeu Dilma.

A petista justificou as cobranças ao colegas ao dizer que às vezes é preciso "agir como uma mãe". "Tem uma hora que precisa cobrar resultado", explicou.

Dilma disse que tem orgulho de ter sido indicada pelo presidente para ser candidata do PT, mas descartou que Lula será o tutor de um eventual governo seu. " As pessoas precisam decidir o que eu sou. Uns dizem que eu sou mulher forte, outros dizem que eu tenho tutor", ironizou.

Na área econômica, os apresentadores questionaram Dilma sobre o menor crescimento do Brasil em comparação com Índia e China. Dilma culpou a dívida do antecessor do governo Lula, o tucano Fernando Henrique Cardoso.  "Tivemos um processo mais duro com a crise da dívida e o governo que nos antecedeu", criticou.

Pela ordem de sorteio, Dilma abriu a série de entrevistas. Amanhã é a vez de Marina Silva (PV), e José Serra (PSDB) fica para quarta-feira. Todos terão direito a 12 minutos de entrevista.

Além das entrevistas, o Jornal Nacional dedica desde semana passada30 segundos diários do dia a dia dos candidatos à Presidência. 

Ao deixar a emissora, por volta das 21h30, DIlma não falou com a imprensa.

Repercussão

Assim que a entrevista de Dilma terminou, políticos foram ao Twitter para comentar a participação da candidata no JN. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, elogiou a atuação da presidenciável ao dizer que ela não caiu em provocações. "Quem dizia que ela não aguenta pressão", postou. 

O deputado federal José Genoino disse que Dilma se revelou "uma verdadeira estadista". "Para desespero da oposição", escreveu. 

Na oposição, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse que Dilma "rateou", mas se saiu bem. "Cruzou a linha de chegada", avaliou. 

Na GloboNews

Após o Jornal Nacional, Dilma foi entrevistada por 15 minutos na edição das 22h do canal GloboNews. A petista voltou a dizer que, caso eleita, obedecerá a critérios técnicos e políticos para montar o ministério. “ Vou escolher o mais preparado”, disse ao ser questionada sobre as declarações de seu vice, Michel Temer, de que já espera a partilha do governo. "Não é necessário que o cargo não seja indicado por um partido que compõe a minha aliança", afirmou.

A candidata afirmou também que não acredita na aprovação do Código Florestral no ano eleitoral. Segundo ela, pós-eleições as “paixões diminuem”. Ela disse ser contra a "leniência e flexibilidade" com desmatadores, mas afirmou que só tratará do tema após as eleições.

*Colaborou Flávia Salme, iG Rio de Janeiro

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