Na TV, candidatos do ES colam suas imagens ao governador

Casagrande se mostra como a opção da continuidade e Vellozo Lucas enfatiza experiência como sucessor de Paulo Hartung

Samia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

Na estréia da propaganda eleitoral gratuita dos candidatos ao governo do Espírito Santo, o tom dos programas foi de lembrança da trajetória política e pessoal de cada um, além de os dois principais postulantes, Renato Casagrande (PSB) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), enfatizarem suas ligações com o governador Paulo Hartung (PMDB).

Durante os nove minutos a que tem direito, Casagrande começou falando, em tom emotivo, sobre sua opção de retornar ao Estado após concluir sua faculdade e o início de seu trabalho na “vida pública”. O senador relembrou sua ida para Brasília, onde foi também deputado federal, e a parceria com o governador, o peemedebista Paulo Hartung. “Se o governador coordenava o trabalho aqui, eu tinha que fazer o meu trabalho em Brasília”, disse.

O tom de emocional foi retomado quando Casagrande falou de sua vida pessoal, citando o derrame sofrido por seu pai, que o impede de acompanhar a trajetória política do filho. Sobre a mãe, o candidato afirmou que ela “segura a barra do meu pai e da família”.

Em seguida, o candidato aparece em frente à casa que nasceu, na cidade de Castelo (ES), e uma narradora fala sobre a história de vida e a trajetória política, quando cita Hartung como “um amigo de caminhada”. Nesse momento, o candidato aparece em imagens com o governador.

O senador retorna com seu depoimento e finaliza classificando a vida pública como “muito racional e profissional nos últimos anos, mas continuo acreditando que é uma missão”, diz. Em nenhum momento o candidato citou a candidata à Presidência apoiada por sua coligação, Dilma Rousseff (PT).

Vellozo também cita parceria com Hartung

O programa de Vellozo Lucas iniciou com atores em cena falando sobre as duas gestões do candidato à frente da Prefeitura de Vitória, seguido de seu jingle, com imagens do Estado e do próprio candidato conversando com a população.

Em seu depoimento, o tucano se apresenta e cita sua união com o governador no passado. “A reconstrução do Espírito Santo começa com os 12 anos em que Paulo Hartung e eu estivemos à frente da Prefeitura de Vitória”, disse. O programa aborda, então, projetos desenvolvidos sob sua gestão e, como Casagrande, também exibe imagens com o atual governador. No entanto, o candidato da coligação à Presidência, José Serra (PSDB), não foi citado no programa.

Durante os cinco minutos e 24 segundos de programa, o candidato também lembrou sua trajetória profissional como funcionário do BNDES e citou suas experiências como prefeito e deputado federal como qualificações para assumir o governo do Estado. O programa termina com imagens de uma van e com o locutor falando sobre uma “viagem pelo Espírito Santo”, dando a entender que serão gravadas imagens em todo o Estado.

Propostas de um minuto


Brice Bragato apostou no discurso do “voto diferente”. Em gravação de estúdio com um banner ao fundo em que aparecia o nome do candidato à Presidência pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, a socialista classificou sua candidatura como “um novo projeto” para o Estado.

Brice também usou o espaço para falar de sua trajetória pessoal e política, citando sua “luta contra a ditadura”, o trabalho como assistente social e os três mandatos como deputada estadual. Em seu um minuto e 15 segundos de programa, ela fez uma crítica ao atual governo, afirmando que usará o dinheiro de impostos para investir em políticas públicas, como segurança pública, e não “repassar para grandes empresas poluidoras”.

O candidato do PCO, Avelar, usou seu um minuto para falar sobre propostas para funcionários dos Correios e não se ateve a questões regionais.

Já Gilberto Caregnato (PRTB) contou com a participação do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado, José Carlos Gratz (PCL), que faz parte de sua coligação.

Hartung é disputado como “padrinho”

Para cientistas políticos ouvidos pelo iG , os candidatos procuraram se mostrar próximos ao atual governador Paulo Hartung (PMDB). “Enquanto Casagrande mostra vínculos com o governo, Luiz Paulo tenta mostrar indiretamente. Embora aqui (Vellozo) apareça como oposição, ele não se coloca assim. Os dois reiteram que de alguma forma vão dar continuidade”, disse Marta Zorzal, cientista política da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo).

“Vai ficando clara a tentativa de ligar a imagem ao Hartung. E é possível que haja estilos pessoais diferentes de campanha, mas propostas de polarização ainda não estão evidentes para o eleitor”, afirmou Roberto Simões, cientista político da UFES.

Marta destacou ainda a diferença da parte visual dos programas. “Luiz Paulo teve música mais alegre, uma coisa mais leve e popular, enquanto Casagrande não teve muita música”, disse. O pensamento é seguido por Simões. “Casagrande tem um tom mais formal, estilo americano, no escritório, de gravata”, explicou.

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