Na TV à noite, Serra fala de saúde e Dilma cola em Lula

Embora não tenham perdido tom emocional, programas deram mais atenção ao discurso administrativo

Nara Alves, iG São Paulo, e Andréia Sadi, iG Brasília |

No bloco que encerrou o primeiro dia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, na noite desta terça-feira, os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) mudaram o tom e reservaram mais espaço no vídeo ao discurso administrativo. Serra, que pela manhã apresentou sua biografia e procurou demonstrar proximidade com o eleitor comum, desta vez fez um programa monotemático na área de saúde. Sem perder o tom emocional que marcou o programa da manhã, Dilma aproveitou o bloco noturno do horário eleitoral para colar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e exaltar a parceria com seu padrinho político.

O programa de Serra, que abriu o bloco, ressaltou do início ao fim a experiência do tucano como ministro da Saúde, durante a administração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Falou ainda de projetos implantados na área quando era prefeito e governador. Ao longo do programa, eleitores de Serra elogiaram a implantação dos genéricos, a quebra de patente de medicamentos anti-Aids e os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs). A promessa de criar o programa Mãe Brasileira, em especial, inspirado no Mãe Paulistana, teve destaque na fala do tucano.

Serra ensaiou inclusive uma crítica indireta ao presidente Lula, ao dizer que vai acabar com o "jogo de empurra" entre municípios, governos e ministério da Saúde. "Saúde vai ser assunto do presidente da República", disse. Prometeu, ainda, mais remédios gratuitos nos postos de saúde e amplicar o número de farmácias populares. Na edição da noite, o programa tucano não reproduziu o jingle que cita o presidente Lula. A música foi repetida por duas vezes no programa do início da tarde.

Desta vez, Lula teve direito a um espaço muito maior no programa eleitoral de Dilma. O presidente e a candidata protagonizaram um diálogo, ela filmada no Chuí e ele no Oiapoque. O tom administrativo também ganhou força, com destaque para números do atual governo, como a criação de 31 milhões de pessoas que ingressaram na classe média e a criação de 14 milhões de empregos com carteira assinada. O filme narra continuamente as biografias de Lula e Dilma, ao mesmo tempo em que enfatiza a proposta de dar continuidade ao atual governo. Lula pediu votos para Dilma, o que não aconteceu na estreia.

No programa de estreia, na tarde de hoje, o presidente teve aparição discreta. Dos 10 minutos e 40 segundos dedicados à propaganda eleitoral de Dilma, Lula falou por menos de um minuto. Na coordenação da campanha petista, a ordem é deixar que a participação de Lula na TV seja dosada pelo marqueteiro João Santana, para não ofuscar a candidata.

Entre os três presidenciáveis que lideram a corrida eleitoral, a senadora Marina Silva (PV) foi a única que repetiu o vídeo veiculado no início da tarde. Já o PSOL investiu em uma paródia em ringue de boxe - de um lado, um lutador parecido com Serra, do outro uma lutadora parecida com Dilma. E um personagem do PSOL é que derruba os dois demais adversários.

*Colaborou Ana Paula Prado, iG São Paulo

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