Na ¿super quarta¿ do PSDB-RS, Yeda exalta déficit zero

Governadora, que tenta a reeleição, falou em ambientalismo e disse que tira suas forças do povo gaúcho

Alexandre Haubrich, iG Porto Alegre |

Em uma noite gelada em Porto Alegre, os salgadinhos, o suco de laranja e o café não foram suficientes para lotar completamente o salão social do Clube Farrapos na “Super Quarta” promovida pela coligação Confirma Rio Grande, que lançou a governadora Yeda Crusius à reeleição. Os cerca de 600 presentes, porém, estavam animados, e sacudiram com vontade as bandeiras do PSDB e dos partidos coligados.

Em seu discurso, a governadora exaltou o déficit zero alcançado por seu governo e o acordo firmado com o Banco Mundial. Segundo ela, através de um empréstimo o Rio Grande do Sul conseguiu diminuir sua dívida. Além de falar de conquistas e promessas cumpridas, assumiu novos compromissos. “Entregamos como concreto o sonhado em 2006, é hora de sonhar um novo sonho: queremos fazer do Rio Grande o Estado verde do Brasil”, prometeu.

Yeda deu a entender que o déficit zero e o meio ambiente serão os focos da campanha. Citou inclusive o gaúcho pioneiro do ambientalismo, José Lutzenberger, ao contar que hoje entregou a Braskem a licença ambiental para produzir plástico verde no Estado: “Construímos o sonho de Lutzenberger”, afirmou na última das três vezes que falou no nome do ambientalista, morto em 2002.

Mesmo com o início do aguardado evento previsto para as 18h, a entrada de Yeda, às 19h41min, foi recebida com aplausos e cantos, e acompanhada de muitas bandeiras balançando. O jingle da campanha foi tocado por carros de som na entrada do clube e pelo autofalante do salão repetidas vezes. “Eu sou gaúcho, eu vou de Yeda, o futuro é a gente quem faz. Eu sou gaúcho, sou Yeda de novo, o Rio Grande pode ainda mais”, diz a letra.

Poucas referências a Serra
A ideia do “pode mais”, irmã do slogan do candidato do PSDB à presidência, foi uma das raras referências a José Serra. Marisa Serrano, vice presidente nacional do partido, foi a única a lembrar com mais veemência da campanha nacional: “Queremos uma mulher na presidência, mas uma mulher com as qualidades que queremos em um governante”, falou, refutando a escolha do voto pelo sexo do candidato, antes de chamar a candidata da coligação ao Senado, Ana Amélia Lemos: “Pelo que sei, Ana Amélia, você já está eleita pelos gaúchos”.

Ana Amélia Lemos, ex jornalista da RBS, criticou os adversários e prometeu defender o Rio Grande do Sul: “Vamos fazer campanha com o coração, não com o fígado, não com ódio. Para que os prefeitos gaúchos não precisem mais ir pedir ao governo federal de pires na mão, vou representar os gaúchos no Senado”, afirmou.

Antes de Marisa e Ana Amélia, presidentes dos partidos coligados se revezaram ao microfone. Representantes do PHS, PRB, PPS e PP discursaram, além de Cláudio Diaz, presidente estadual do PSDB. Ainda antes dele, foram apresentados números positivos do governo Yeda, e algumas estratégias de campanha. Paulo Buffara, Coordenador de Marketing da coligação, explicou que o slogan não é apenas um, mas um conjunto de slogans, cada um com um atributo que, segundo Buffara, já está no imaginário popular sobre Yeda: trabalho, atitude, coragem, competência, resultado, desenvolvimento. Explicou ainda que essa ideia dos diversos atributos “é também uma forma de neutralizar os ataques sofridos pela pessoa física da governadora, sem tocar no assunto”.

Estado vigoroso
O último a falar antes de Yeda Crusius foi seu candidato à vice, Berfran Rosado (PPS). Afirmou que o estado estava quebrado em 2006 e agora está vigoroso, e bateu forte nos dois adversários mais cotados ao Piratini, sem citar nomes: “Não queremos voltar para trás, nem com governantes incapazes disfarçados de bonzinhos nem com governantes autoritários disfarçados de republicanos. Não queremos os que dizem que vão salvar o Rio Grande do Sul com a mão do governo federal”.

Com o jingle tocando alto mais uma vez, Yeda assumiu o microfone. Em meia hora de discurso, agradeceu muito a Marisa Serrano pelo apoio durante as crises políticas que se sucederam nos últimos quatro anos, e garantiu que está recuperada: “a frase que se ouvia sobre mim no Rio Grande era ‘ela está morta”, depois virou ‘ela está crescendo’, e agora é ‘ela vai ganhar’”, garantiu. Ao contrário de Marisa, porém, tentou vincular seu nome à ideia de um possível machismo no meio político: “Quando atacam a mim, atacam a mulher, atacam a mulher na política”.

Antes de o jingle ressoar novamente no salão e do hino do Rio Grande do Sul tocar enquanto o público ia embora, Yeda pediu um favor aos presentes: “Quando me perguntaram, surpresos, de onde tiro minha força, respondi ‘de um pouco da tua’. Levem daqui essa mensagem ao povo gaúcho: é dele que tiro minha força”.

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