Na Bahia, PV e PSOL investem em vices para se diferenciar

Partidos deixam de lado políticos de carreira na hora de finalizar a composição das chapas estaduais

Aura Henrique, iG Bahia |

Depois de seguir separadamente na corrida eleitoral deste ano, PV e PSOL apostam nos candidatos a vice-governador para se diferenciar na disputa na Bahia. Em vez de se limitarem aos rótulos do ambientalismo e da doutrina socialista ou de buscar políticos de carreira para o posto, as duas siglas reforçaram suas fileiras com representantes sociais e ativistas de outras vertentes. Por isso, respectivamente, escolheram para os postos Lília Amorim e Everaldo Silva.

A primeira é uma veterinária que sofre de paralisia nos membros inferiores e que é conhecida no município de Lauro de Freitas – vizinho a Salvador – como defensora dos direitos dos animais. Ivanilson Gomes, presidente do PV no Estado, declarou que um dos fatores que influenciaram na escolha da cadeirante foi a atenção dedicada a Lília pela presidenciável Marina Silva (PV-AC), durante evento de pré-lançamento de Luiz Bassuma para o governo do Estado, no mês passado. “Marina destacou o trabalho de Lília, que cuida de animais abandonados, para mostrar que sua condição não é empecilho”, explicou.

Para o presidente, a limitação da vice vai movimentar o debate em torno de questões como a acessibilidade e a capacidade dos portadores de necessidades especiais. “O fato de ser cadeirante não a impede de trabalhar. Ela é extremamente lúcida e capacitada para o cargo, sua limitação é apenas motora”, informou.

Já o PSOL procura estrategicamente desmistificar o estigma ateu da militância socialista ao trazer para vice de sua chapa majoritária no Estado o pastor evangélico Everaldo Silva, de orientação Batista. O dirigente baiano do partido, Marcos Mendes, nega que pretenda transformar fiéis em eleitores ao escolher um líder religioso para a coligação.

“Nossa proposta é diferente, não nos preocupamos em agregar votos desta forma. Nossa preocupação é com a base popular”, explicou. Mesmo assim, segundo ele, cerca de 95% dos filiados ao PSOL na cidade-natal do vice, Jequié, é de evangélicos. Mesmo com uma história fundamentada nos movimentos sociais ligados à religião, Mendes alega que o vice não faz apologia alguma à crença. “Somos abertos a qualquer etnia e religião. Nossa bandeira é a igualdade. Há, além de evangélicos e céticos, católicos e muçulmanos filiados ao PSOL”.

Ambas as legendas realizam suas convenções estaduais e homologam suas chapas, mesmo incompletas, na manhã do próximo sábado (19). O PV traz o deputado federal Edson Duarte para o Senado. O PSOL apostará no nome do sindicalista França para o mesmo posto. As outras vagas ao senado, nos dois casos, serão preenchidas após votação de delegados das duas legendas.

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