Na ausência de Dilma, Serra volta a falar de dossiês

Candidata petista não comparece a evento de presidenciáveis; adversários criticam ausência e tucano diz ser vítima de dossiês

Nara Alves e Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , não compareceu a evento com presidenciáveis nesta segunda-feira e foi alvo das críticas de seus principais adversários. Para Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, Dilma “acha que está eleita”. O candidato tucano José Serra retomou o tema dos supostos dossiês, que segundo ele seriam preparados pelo comitê eleitoral da petista, e disse ser vítima de “baixaria” desde 2002. Já para Marina Silva , do PV, a petista acha que a estrutura partidária do PT vai garantir a sua eleição.

Marina, Serra e Plínio foram sabatinados durante evento da Confederação das Associações Comerciais e Empresarias do Brasil, realizado no Memorial da América Latina, na Zona Oeste da capital paulista. Michel Temer, presidente do PMDB e candidato a vice na chapa de Dilma, era esperado para representar a petista, mas também não compareceu. Diante de uma plateia de empresários, os candidatos responderam a perguntas sobre reforma tributária, geração de emprego, educação, saúde e reforma agrária. Eles também receberam um caderno de 300 páginas com propostas e estudos sobre a situação de cada um dos ministérios do atual governo.

Na saída do evento, em entrevista à imprensa, Serra qualificou de “baixaria” a prática de dossiês. “Como se vê, o que não falta em cima de mim é dossiê fajuto”, afirmou. De acordo com o candidato, ele foi “vítima” de dossiês na campanha presidencial em 2002, “duas vezes” em 2006, quando foi eleito governador de São Paulo, e agora em 2010.

O tucano também aproveitou para alfinetar o PT com a ausência de Dilma. "Normal (a ausência). O PT tem evitado ao máximo debater e se expor", disse Serra.

Durante a sabatina, Serra voltou a criticar a política econômica do governo federal, apontando para os juros altos, a elevada carga tributária e a política de comércio exterior. Quando foi questionado sobre aumento salarial para o servidor público, ele citou o caso dos servidores da educação no Estado de São Paulo. Segundo Serra, será necessário estabelecer metas no País e oferecer bônus salariais para os funcionários que cumprirem ou ultrapassarem as metas.

Antes de Serra, foi a vez de Marina Silva ser sabatinada. Ela defendeu uma reforma ampla do sistema político brasileiro como instrumento de combate à corrupção. "O combate à corrupção passa previamente por uma combinação de seres humanos virtuosos. É fundamental que o Tribunal de Contas tenha segurança para trabalhar e tenha uma série de propostas para aperfeiçoar seu plano de ação”, disse Marina.

Como se espera de um evento com empresários, a reforma tributária esteve no centro dos debates. Para a candidata do PV, a reforma que o Brasil precisa é de justiça com os Estados, simplificação e transparência. Porém, a presidenciável verde defende uma reforma política ampla antes para que uma modernização tributária aconteça no País.

“É preciso trabalhar agora nas eleições para que as pessoas elejam as pessoas que estão comprometidas em realizar essas reformas, inclusive a da Previdência. As reformas começam na hora de escolher o deputado, o senador, o governador e o presidente da República”, argumentou.

O primeiro candidato a ser sabatinado foi Plínio de Arruda Sampaio. Ele arrancou aplausos da plateia ao defender o sistema único de Previdência Social. “Sou um latifundiário no sistema de previdência. O duplo sistema é errado. Temos que ser coerentes. Não haverá igualdade sem um sistema único”, afirmou. O candidato socialista também propôs a criação de um sistema que desonere os produtos da cesta básica, mas que aumente os impostos para os donos das grandes fortunas.

O presidente da Associação Comercial, Alencar Burti, também criticou a ausência de Dilma Rousseff no evento desta segunda-feira. Segundo ele, a candidata do PT teve uma atitude preconceituosa com os empresários que faziam parte do evento. “Talvez ela tenha achado que encontraria aqui um ambiente hostil. As opiniões e convicções têm que fazer parte do debate. Você tem que dar todo o direito para que as pessoas venham e exponham seu ponto de vista”, disse Burti.

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