MPE investiga Cabral por abuso de poder político

Ação inclui Jorge Picciani, presidente da Alerj que concorre ao Senado e outros quatro políticos; governador nega a denúncia

iG, Rio de Janeiro |

O Ministério Público Eleitoral oficializou nesta terça-feira (31) uma investigação judicial eleitoral contra o governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputa a reeleição, por abuso de poder político e conduta vedada (oportunidade desigual entre candidatos).

De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio, o governador teria sido favorecido por uma reunião promovida pelo prefeito de Italva, cidade no Noroeste do Estado, na qual servidores da secretaria de Saúde daquele município foram convocados e orientados a fazer campanha para Cabral e um grupo de políticos que integra o partido do governador, o PMDB.

De acordo com a denúncia, na reunião realizada dia 4 de agosto, durante o expediente dos servidores, o prefeito Joelson Gomes Soares pediu votos para Cabral, Jorge Picciani (PMDB), presidente da Alerj que tenta uma vaga no Senado, Leonardo Picciani, filho de Jorge que disputa a a Câmara dos Deputados pela segunda vez, e o deputado estadual Altineu Côrtes (PR), que também tenta a reeleição. O secretário de Saúde de Italva, Gilkberto Willys de Faria, também estava no encontro.

Todos estão sendo investigados na ação do MPE.

Além de elogiar os candidatos, e atribuir a eles os "avanços em Italva nos últimos anos", Joelson ainda teria incitado ainda os funcionários a fazerem propaganda de Cabral e aliados em suas casas e carros particulares, sob o risco de a cidade perder investimentos do governo.

A reunião foi gravada por um dos presentes ao encontro, que encaminhou o vídeo para o MPE. A Procuradoria afirma que o áudio é legal, uma vez que foi captado em evento público e por um participante do encontro.

Além da gravação, fiscais da 141ª Zona Eleitoral seguiram para o encontro e flagraram o pedido explícito de votos em favor dos candidatos para aproximadamente 70 servidores. Para a Procuradoria Regional Eleitoral as provas indicam que a ação do prefeito só foi possível graças a um acordo assumido previamente.

A ação será julgada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e, se resultar em condenção, os políticos podem sofrer cassação do registro de suas candidaturas ou do diploma, caso sejam eleitos, inelegibilidade e multa.

Cabral se defende e nega envolvimento na ação

Em nota, o governador Sérgio Cabral afirmou que desconhece a reunião inestigada pelo MPE. Por meio da assessoria de imprensa de sua campanha, Cabra se defende dizendo que na data do encontro promovido pelo prefeito de Italva esteva "em agendas de campanha que não tiveram qualquer relação com o dito evento" .

O documento esclarece que no dia 4 de agosto Cabral participou de uma missa pelo Dia do Padre ao lado do arcebispo do Rio, D. Orani Tempesta, e em seguida concedeu uma entrevista na TV Brasil, na capital.

Por fim, a assessoria da campanha do governador informou que a coligação que o apoia, "Juntos pelo Rio" não foi notificada da ação da Procuradoria Regional Eleitoral e que, quando for, "prestará os esclarecimentos necessários"

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