MP pede investigação de tráfico de influência em órgãos do DF

Procuradora entrou com representações para que tribunal avalie contratos de estatais onde trabalharam filho e irmão de Erenice

Fred Raposo, iG Brasília |

O Ministério Público que atua no Tribunal de Contas do Distrito Federal e Territórios (TCDFT) pediu, esta semana, que a Corte investigue se o suposto esquema de tráfico de influência envolvendo familiares da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra chegou também a órgãos distritais.

A procuradora-geral Márcia Farias protocolou, na última segunda-feira, duas representações para que o tribunal avalie contratos das estatais Terracap e da Novacap, onde trabalharam Israel Guerra e José Euricélio Alves de Carvalho – respectivamente, filho e irmão da ex-ministra.

Márcia assinala no documento que a “reiterada contratação sem concurso público por parte de órgãos e empresas do GDF, é de maior materialidade e relevância a apuração da existência de tráfico de influência”. Também pede que TCDFT “investigue os atos e contratos que possam ter sofrido influência do empregado”.

Israel entrou na Terracap em dezembro de 2008. Ele seria responsável pelas negociações da companhia para implantação de projetos, como o do Setor Noroeste, e pela liberação de exploração de recursos naturais no DF. Já Euricélio trabalha na Novacap desde maio. Estava lotado no departamento de auditoria do órgão.

Os dois foram exonerados dos respectivos cargos há exatamente uma semana pelo governador Rogério Rosso. Ambos ocupavam funções comissionadas – ou seja, eram nomeados por indicação política. O governador também determinou que a Corregedoria-Geral do DF abra procedimento administrativo para apurar "eventuais irregularidades".

Levantamento de dados

As representações têm como base reportagens publicadas pela imprensa nas últimas semanas. Nos documentos, o MP solicita o levantamento de dados sobre a passagem de Israel e Euricélio nas estatais. De acordo com o gabinete da procuradora-geral, as informações serão analisadas por auditores do tribunal.

Se for comprovada irregularidade, o TCDFT pode instaurar uma tomada de contas especial, para recuperar despesas desnecessárias, ou um processo administrativo, que pode inabilitar Israel e Euricélio a exercerem cargos de confiança no DF por período a ser estipulado.

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