Coordenadora do PAC volta a ser cotada para assumir a Casa Civil com queda de Erenice, que foi impulsionada por Dilma para o cargo

Com a saída de Erenice Guerra do posto de ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior é a mais cotada para assumir o cargo. Miriam foi a preferência de Lula para a substituição de Dilma Rousseff, no final de março, quando ela deixou o governo para concorrer à Presidência. Porém, na ocasião, Erenice assumiu com o estímulo da atual candidata e, apenas posteriormente, teve seu nome endossado para assumir o segundo posto mais importante do Executivo.

Interinamente, hoje assumiu a Casa Civil Carlos Eduardo Esteves Lima, que era secretário-executivo de Erenice. Segundo apurou o iG , até segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar quem deverá ocupar o cargo até o fim do ano.

Miriam é subchefe da pasta e responsável pela coordenação do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), principal bandeira do governo federal. O iG ligou para Miriam Belchior hoje. Ela disse, por meio de sua assessora, que “ainda não havia sido informada de qualquer mudança” em relação ao seu cargo.

Com formação em engenharia e mestrado em administração pública, Miriam começou a carreira no setor governamental na Prefeitura de Santo André. Foi alçada para o governo Lula já no período de transição, quando o presidente foi eleito pela primeira vez. Ela também é professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e tem assento no conselho de administração da Eletrobras.

De fala mansa e jeito compreensivo, Miriam conseguiu impor a presença do governo federal nos principais projetos de infraestrutura do Brasil ao longo da gestão Lula. Ela também teve responsabilidade no estímulo aos projetos de expansão do crédito, que levou à formação do programa Minha Casa, Minha Vida, entre outros.

Interlocutora de empresas, Estados e municípios

Miriam era a principal intermediária nas negociações entre a Casa Civil, iniciativa privada e representantes de prefeituras e Estados, para assuntos como transporte, saneamento, geração de energia, entre outros temas de infraestrutura.

Ela foi mulher de Celso Daniel, prefeito do PT assassinado de Santo André, em 2002. Antes de chegar a Brasília, Miriam Belchior trabalhou na secretaria da cidade do grande ABC, participou da integração de outros programas ao Bolsa Família, durante o primeiro mandato do governo Lula.

Nos últimos meses, sua principal missão foi renovar o estoque de projetos de infraestrutura do país, para compensar o que chamou de um hiato em que governo e iniciativa privada deixaram de produzir grandes projetos, sem a expectativa de executá-los. Depois de lançar, pelo PAC, obras como Belo Monte e o Trem de Alta Velocidade (TAV), Miriam tenta estimular governos e empresas a estudar novos projetos.

Miriam não foge do padrão Dilma de ser. A constatação veio do próprio presidente Lula, durante uma reunião ministerial, de quem Miriam é mais próxima. “Se achavam que a Dilma era dura, agora vocês vão ver quem é a Miriam, que vai ser ainda mais dura para cobrar obras do PAC”, segundo r elato do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.