Minas chega ao fim da campanha com virada nas intenções de voto

Arrancada final de Anastasia, além de cabos eleitorais populares e críticas às administrações local e federal marcaram a disputa

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

AE
Anastasia: arrancada no fim da campanha depois de início pouco animador
Há três meses, parecia difícil prever que o governador e candidato à reeleição, Antônio Anastasia (PSDB) poderia vencer o ex-ministro Hélio Costa (PMDB) na disputa ao governo de Minas. Durante pelo menos seis meses, todas as pesquisas de intenção de votos realizadas no estado mostraram o peemedebista com mais de 20 pontos percentuais à frente do tucano. Somente no último mês da campanha é que Anastasia reverteu o quadro e tomou a liderança de Costa nas pesquisas.

A disputa já é a mais acirrada da história recente do estado e também provocou grandes críticas de parte a parte entre os dois candidatos. Pelo lado de Hélio Costa, todas as pesquisas apontaram uma possível vitória ainda no primeiro turno. O ex-ministro das Comunicações do governo Lula se tornou candidato com o apoio do P T e recebeu como vice em sua chapa Patrus Ananias, ex-ministro do Desenvolvimento Social e um dos ex-prefeitos de maior aprovação popular de Belo Horizonte. Segundo Costa, foi o próprio presidente Lula quem “pediu” a ele e a Patrus para formarem a aliança em Minas. Naquele momento, a escolha de Costa para ser o cabeça de chapa se deveu à sua liderança folgada nas pesquisas de intenção de votos.

Enquanto isso, Anastasia era o vice de Minas. Ele assumiu o cargo de governador quando Aécio Neves (PSDB) se desencompatibilizou do cargo no fim de março para disputar uma vaga no Senado. Oficialmente, Anastasia só assumiu a candidatura em 3 de julho, quando foram registradas as chapas, mas desde 2009 o próprio Aécio havia anunciado que ele seria seu sucessor na disputa do governo.

O mau desempenho de Anastasia nas pesquisas de intenção de votos realizadas pelos principais institutos nacionais, era uma surpresa para os analistas políticos, que chegaram a duvidar até que ele levasse a disputa ao segundo turno. “Se Anastasia for eleito será uma das maiores vitórias políticas da história de Minas e do país”, afirmou o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) Ruda Ricci à reportagem do iG, ainda no mês de junho.

Para ele, naquele momento, a diferença entre Dilma, “criatura de Lula”, e Anastasia, “criatura de Aécio”, é que a petista subiu desde o início do ano e foi assim progressivamente até ultrapassar seu principal adversário, então líder nas pesquisas de intenção de votos por mais de dois anos, o candidato José Serra (PSDB). Já Anastásia, demorava demais a apresentar crescimento nas pesquisas, e com a eleição se aproximando, talvez não tivesse tempo para superar seu adversário.

Mais da metade da popolação não conhecia Anastasia no início da campanha

As mesmas pesquisas que registravam seu desempenho ruim, indicavam que mais de 50% da população mineira não conhecia Anastasia, embora mais de 70% avaliassem entre ótima e boa a administração do ex-governador Aécio Neves. Assim, a coordenação da campanha do tucano acreditava que quando a campanha começasse de fato, principalmente no Horário Eleitoral Gratuito no rádio e na televisão, Anastasia iria subir nas pesquisas. Até mesmo, a campanha do ex-ministro Hélio Costa também previa que o tucano iria subir nas pesquisas, mas apostavam que se o peemedebista conseguisse manter a dianteira até meados de setembro, não haveria tempo hábil para Anastasia virar o jogo.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo havia alguma coisa errada na campanha de Anastasia que fazia com que ele não subisse nas pesquisas. “Anastasia tem o apoio declarado do ‘maior eleitor de Minas Gerais’ que é também seu padrinho político, o ex-governador Aécio Neves. Há algo errado na campanha dele. Pode ser o estilo do candidato ou até mesmo o estilo do seu adversário que tem, de fato, a primeira chance real de ser eleito para o governo de Minas”, declarou Ranulfo ao iG em julho.

Veio o primeiro debate na televisão e Anastasia começou a mudar seu estilo pessoal e de campanha. Logo nesse primeiro confronto com Hélio Costa, o tucano atacou duramente a administração do adversário a frente do Ministério das Comunicações. Logo depois, vieram outras críticas quando ao empenho do senador no Congresso Nacional e sua falta de empenho para defender os “interesses” de Minas.

Logo na primeira pesquisa Vox/Band/iG depois do debate com apenas uma semana de horário eleitoral, Anastasia reduzia a diferença para Costa em dez pontos percentuais. Áquela altura, o tucano tinha 26% contra 36% do peemedebista. “O crescimento de Anastasia era previsto e até esperado. O fato é que, além dele ter o apoio de um cabo eleitoral forte, pesou o favor que seu adversário (Hélio Costa) ficou estagnado nas pesquisas sem demonstrar crescimento. E também o de já ter perdido outras duas disputas para o governo de Minas” explica o cientista político Carlos Ranulfo.

Costa mudou estratégia e passou a criticar a administração estadual

A nova postura de Anastasia alterou a rotina da campanha de Hélio Costa. Se antes da virada nas pesquisas Costa evitava fazer críticas à administração do ex-governador Aécio Neves, assim que os números se aproximaram o peemedebista passou a apontar diversas falhas da administração tucana e a reforçar em sua campanha a presença de seu principal cabo eleitoral, o presidente Lula, na tentativa de barrar o crescimento do tucano e, pelo menos, provocar um segundo turno.

Nada disso, entretanto, impediu a arrancada de Anastasia que, se confirmada nas urnas, será a única virada nas pesquisas de intenção de votos de um candidato com mais de 20 pontos percentuais de desvantagem entre candidatos a um governo de estado. Na pesquisa Vox/Populi/Band/iG de 25 de setembro, Anastasia, subiu 16 pontos percentuais e foi de 26%, em agosto, para 42%, em setembro. Hélio Costa caiu de 36% para 32%. Com isso, o tucano abriu dez pontos de vantagem.

Para a cientista política e professora da UFMG Eucimara Telles, o motivo da possível vitória de Anastasia sobre Costa tem a ver com o fato de estas serem “as eleições da continuidade”. “Era previsível que um candidato que vem de um governo tão bem avaliado quanto o dele tivesse mais chance de vitória do que outro candidato, que é uma incógnita. É exatamente isso que aconteceu também no cenário nacional”, explica.

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