Militante desde os 16 anos, Dilma só ingressou no PT em 2000

Novata no PT, Dilma vai disputar a Presidência da República pela primeira vez em outubro

Andréia Sadi, iG Brasília |

Economista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff deu início a sua trajetória de militância política em 1964, em Belo Horizonte, quando contava apenas 16 anos. O primeiro passo foi dado como simpatizante da organização de esquerda conhecida como Política Operária (Polop), na luta contra a ditadura. Com a divisão da organização em duas linhas, em 1967, Dilma fez parte da frente a favor de ações armadas, o Comando de Libertação Nacional (Colina).

Em Minas, Dilma conheceu o hoje deputado José Aníbal, ex-líder do PSDB na Câmara. Estudaram juntos para o vestibular e foram aprovados no curso de Ciências Econômicas na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). “Convivemos juntos, nos dávamos muito bem. Divergíamos às vezes. Posteriormente, com AI-5 a ditadura passou a ser mais violenta e no primeiro semestre de 1969 ela seguiu um caminho e eu segui outro”, disse Aníbal.

Já pela Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), em 1970, Dilma foi presa e torturada pelo regime ditatorial, em São Paulo. Em 1973, Dilma mudou-se para Porto Alegre, onde Carlos Araújo, capturado pela repressão em julho de 70, estava preso. Já em 1973, passou a fazer campanha em favor do então MDB, partido de oposição ao regime militar.

Apesar de ter sido escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sucedê-lo, Dilma é novata no partido de seu padrinho político. Ela deu início a sua carreira política no PDT de Leonel Brizola. Em 1980, trabalhou na assessoria da bancada do Rio Grande do Sul do partido e ajudou na campanha vitoriosa de deputado estadual de Carlos Araújo, seu então companheiro. Mas foi só na prefeitura de Alceu Collares que Dilma assumiu seu primeiro cargo no Executivo, como secretária da Fazenda, em 1985.

Ainda no Rio Grande do Sul, ela foi duas vezes secretária estadual de Energia, Minas e Comunicações do Rio Grande do Sul, nas gestões estaduais de Collares (1993-1994) e do petista Olívio Dutra (1999-2002).

Dilma só se filiou ao PT em 2000. Foi justamente a falta de tradição no partido que ajudou a alimentar  as primeiras resistência ao seu nome quando Lula levantou pela primeira vez a possibilidade de lançá-la candidata ao Planalto. Amigos investem na tese de que esta nunca foi sua pretensão. “A diferença de Dilma para o Serra é que ela nunca quis ser presidente da República. Ele se preparou para isso a vida toda. Por isso, se ela não for vitoriosa ela não terá abalo emocional muito forte”, diz Carlos Araújo, ex-marido da petista.

Para enquadrar seu partido, Lula investiu no discurso de que estava em busca de uma gestora. Mencionava recorrentemente o pulso firme de sua ministra na pasta de Minas e Energia, que ocupou desde 2003, e exaltava principalmente seu desempenho à frente da Casa Civil, que ocupou desde junho de 2005. Ela substituiu o ex-ministro José Dirceu, acusado de operar o esquema do mensalão.

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