Mercadante suspende caminhada na terra de Alckmin

Em visita a três cidades do Vale do Paraíba, candidato do PT defende iniciativas da administração Lula e critica governo tucano

Matheus Pichonelli, enviado ao Vale do Paraíba |

Em meio a uma ofensiva patrocinada pelo presidente Lula para tentar diminuir a vantagem do PSDB no Estado, o candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, visitou nesta terça-feira a região do Vale do Paraíba, um dos principais redutos eleitorais do adversário tucano Geraldo Alckmin. No roteiro constavam visitas a Taubaté, Pindamonhangaba e Aparecida. Mas em Pindamonhangaba, terra natal de Alckmin, o petista apenas almoçou e não participou de caminhada, como estava previsto.

Na cidade, onde praticamente em cada esquina é possível encontrar bandeiras com fotos ou referências ao tucano, Mercadante evitou as ruas. Ele permaneceu na cidade apenas algumas horas, onde se encontrou com lideranças locais.

O corpo a corpo ficou a cargo de Netinho de Paula, candidato ao Senado pelo PCdoB na chapa petista. Entre as lideranças regionais que participaram do almoço com Mercadante, estava o ex-prefeito tucano Vito Ardito, que também já foi presidente do diretório municipal do PSDB. Nos meios políticos de Pindamonhangaba, comenta-se que Ardito é um desafeto de Alckmin.

Um sinal de que os dois tucanos não se bicam está no apoio que Geraldo Alckmin dá para a sua sobrinha, Myriam Alckmin, que concorre a uma vaga na Assembléia Legislativa. Ela teve de se abrigar no PPS para se candidatar, já que a vaga no PSDB estava ocupada por Ardito, que também é candidato a deputado estadual.

"Coincidência"

Questionado pelo iG por que estava num almoço com o candidato petista, Ardito afirmou que foi apenas “coincidência” pois tem o hábito de almoçar naquele restaurante. Ele também negou ser desafeto de “Geraldo” e disse fazer campanha para o ex-governador. Com relação à sobrinha do candidato ao governo do Estado, afirmou: “Existe uma fila na política. E eu já havia sido prefeito três vezes”. Na cidade, o PPS é conhecido como legenda de aluguel de Alckmin.

Desde o começo da campanha, Aloizio Mercadante tem afirmado que aposta no racha do PSDB paulista. É que uma ala do partido e também de aliados, como o DEM, não aceitam que Alckmin tenha concorrido à Prefeitura de São Paulo em 2008. Entre os antigos adversários do PT que pularam para o barco de Mercadante está o vereador Carlos Apolinário (DEM).

Enquanto Netinho de Paula fazia o corpo a corpo na terra de Alckmin, Mercadante viajou para a terceira cidade do dia, Aparecida, onde visitou a Basílica de Aparecida e se encontrou com o arcebispo Dom Raymundo de Assis. O encontro com o religioso, marcado para o início da tarde, foi o motivo da desistência da caminhada pelo centro do reduto alckmista.

Questionado sobre como pretende superar a vantagem dos tucanos na região, Mercadante afirmou: “Da mesma forma como nós fizemos no Brasil”. “Já vimos a Dilma disparar nas eleições e acho que o nosso caminho é o mesmo”, completou.

Entre críticas e elogios

Mercadante aproveitou a passagem pela cidade de Alckmin para criticar o que chama de “lentidão” do governo do PSDB, que administra o Estado há 16 anos. A estratégia foi citar números de investimentos do governo federal na região e apontar uma suposta fragilidade da gestão estadual. Ele ressaltou as raízes de sua família na região, que chegou ao Vale do Paraíba em 1870. Contou à imprensa local que um avô chegou a ser prefeito de Jacareí, também na região, nos anos 1950.

Mercadante criticou a falta de investimentos no porto de São Sebastião e citou a ausência de um hospital regional no Litoral Norte paulista. As estradas da região também não escaparam. “O governador que foi prefeito em Pinda não fez pelo Vale do Paraíba o que poderia ter sido feito. A duplicação da rodovia dos Tamoios ele promete a cada quatro anos”.

O candidato disse também que o governo do PSDB é contra o trem de alta velocidade, que ligará São Paulo e Campinas ao Rio de Janeiro, passando pelo Vale do Paraíba Segundo ele, a obra vai impulsionar a economia local. “O trem bala vai trazer um novo tipo de romaria”, disse. Mercadante prometeu também, caso seja eleito, que vai estender a Rodovia Ayrton Senna, mas não deu prazo nem detalhes do projeto.

O petista ainda listou os repasses para a região feitos pelo governo federal na ajuda para os desabrigados nas enchentes do último Verão nas cidades de Cunha e São Luís do Paraitinga. Lembrou também obras de modernização em uma refinaria da região e o programa Minha Casa, Minha Vida.

"O cara"

Mercadante, que desde sexta-feira passada tem recebido o “reforço” de Lula, Dilma Rousseff e até mesmo da primeira-dama Marisa Letícia em atos pelas ruas de São Paulo, desta vez percorreu a região ladeado apenas pelo senador Eduardo Suplicy - e por Netinho, em parte da agenda.

No entanto, a coordenação da campanha disponibilizou em Aparecida um carro de som que, entre um jingle da campanha e outro, levava ao ar a mensagem de apoio gravada pelo presidente Lula para o senador petista. Em seu discurso a militantes, Mercadante fez várias referências ao presidente da República. “Como diz o Obama, ele é o cara”, afirmou.

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