Mercadante pede direito de resposta a acusação de Alckmin

Propaganda do tucano na TV acusou petista de não ter participado de votação no Senado para liberar recursos para São Paulo

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, reagiu nesta quinta-feira às afirmações feitas na véspera pelo adversário Geraldo Alckmin (PSDB) durante a propaganda eleitoral gratuita na TV. O tucano levou ao ar uma mensagem em que acusa o candidato petista de se ausentar em votações de interesse do Estado de São Paulo no Senado. Mercadante disse que já encaminhou à Justiça Eleitoral um pedido de direito de resposta.

Para Mercadante, a estratégia demonstra “nervosismo” do rival, que desde a semana passada tem sido alvo de críticas em debates e também em discursos recentes feitos pelo presidente Lula, principal cabo eleitoral do candidato petista.

“Não acho que isso ganha a eleição”, disse o senador, que ironizou o tucano ao afirmar que ele não estava bem informado sobre como aconteceu a votação que liberou recursos para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), citada pelo adversário na TV.

Mercadante disse que estava presente no Senado na citada sessão, ressaltou sua participação para liberação dos recursos na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, da qual fazia parte, e lembrou que a votação era simbólica – ou seja, já eram contabilizados os votos de bancada por decisão das lideranças partidárias.

“Não é um empréstimo de US$ 1 bilhão (como citado na peça ), nem isso eles sabem exatamente. Foram US$ 575 milhões, para financiar a compra de equipamentos para a CPTM”.

O candidato petista disse esperar também que os secretários da gestão tucana venham a público testemunhar os esforços que ele realizou, no Senado, para acelerar a liberação de recursos referentes a quatro empréstimos ao Estado de São Paulo.

Estratégia

As declarações foram mais um episódio na briga entre os dois candidatos ao governo paulista. Na mesma semana, Mercadante chegou a perder tempo no horário eleitoral por "invadir", segundo decisão da Justiça Eleitoral, o horário reservado para candidatos a deputado.

Para Mercadante, as críticas de Alckmin em relação à sua candidatura são uma reação sobre a participação do presidente Lula em sua campanha. No Estado, a presidenciável apoiada pelo presidente, Dilma Rousseff (PT), já aparece em pesquisas com mais votos do que o adversário tucano. "O candidato que está na frente nunca bate em quem está atrás. Isso é um bom sinal", disse.

Mercadante tem repetido que prevê crescimento de sua candidatura a partir do “efeito Dilma” em São Paulo. Alckmin, por sua vez, lidera com folga as pesquisas e tem chances de liquidar as eleições logo no primeiro turno. Para conter mudanças neste cenário, ele tem afirmado, em discursos e debates, que o adversário do PT “não gosta de São Paulo”. A ideia é confrontar números da gestão tucana e apontar uma possível omissão de Mercadante em relação ao Estado como senador.

“Sempre me empenhei para agilizar todos os empréstimos para São Paulo”, rebateu o senador.

Os quatro empréstimos, assunto da polêmica, foram votados em 8 de maio de 2008 e somam, ao todo, US$ 1,275 bilhão, segundo a assessoria de Alckmin – que teve acesso a notas taquigráficas do Senado em que o senador admite sua ausência da votação.

Na ocasião, Mercadante fez um discurso em que afirmou: “Só gostaria de registrar em plenário – não pude estar presente na oportunidade – a importância de mais esses dois empréstimos que a Comissão de Assuntos Econômicos aprovou em caráter de urgência. São empréstimos do Banco Mundial, do GBIC, banco de fomento ao desenvolvimento do Japão, e do BID que contribuem para a renovação de toda a frota de trens da CPTM e do metrô e ampliação de linhas do metrô.”

"Mercadate não votou, e admitiu sua ausência, como mostram essas notas taquigráficas. Ele agradeceu aos senadores por terem aprovado as autorizações que ele, mesmo, não aprovou", afirma a assessoria do ex-governador.

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