Mercadante é escalado para aproximar Dilma e Marina

Após reunião em SP, senador faz elogios à ex-colega de partido e diz que ¿o coração dela sempre bateu do lado esquerdo¿

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Um dia após ser derrotado nas urnas na disputa pelo governo de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante (PT) se apresentou nesta segunda-feira como possível interlocutor entre a campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), candidata que obteve quase 20% dos votos na disputa pela Presidência.

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O senador Aloizio Mercadante (PT)
Mercadante se reuniu no final da tarde com o comando do PT no Estado para delinear as estratégias para a campanha da ex-ministra da Casa Civil durante o segundo turno em São Paulo.

Após o encontro, Mercadante disse que pretende usar sua amizade com Marina para aproximá-la da campanha petista. Ele rasgou elogios à senadora e lembrou o passado dela no PT e no governo Lula, numa tentativa de mostrar aos eleitores que votaram na candidata verde que ela tem mais familiaridade com Dilma do que com o tucano José Serra.

“Vamos procurar também conversar com a Marina. Todo mundo sabe que ela gosta de mim, ela disse isso publicamente, até ao longo da campanha e o respeito e o carinho é recíproco. Foi muito bom para a democracia brasileira que uma liderança como a Marina tenha tido uma votação expressiva. E agora, é a Dilma”, afirmou o senador, para quem Marina “nunca fez parte das posições conservadoras que se organizam à direita do espectro político”.

“Ela caminhou esses 30 anos ao nosso lado. Ela caminhou todo esse caminho que nós percorremos. Ela, durante sete anos contribuiu com o governo Lula. Eu acho que ela fez um movimento político para defender as bandeiras que ela acha que são necessárias, mas ela faz parte deste lado da história. O coração dela sempre bateu do lado esquerdo”, disse.

Mercadante disse, porém, que vai respeitar a decisão de Marina caso ela opte por não anunciar apoio à candidata do PT.

AE
Candidata derrotada à Presidência, Marina Silva, é agora alvo de disputa entre tucanos e petistas
Na reunião, ficou decidido também que o senador fará a ponte entre Dilma e os candidatos derrotados na disputa pelo governo paulista. “Nós vamos buscar também conversar com o Paulo Skaf [candidato derrotado do PSB], que é uma liderança nova na política, com o [Celso] Russomanno, que tiveram uma campanha combativa, propositiva. Vamos conversar com o Fábio Feldman [PV], vou procurá-los”.

Outro que deve reforçar o apoio à petista é o cantor e apresentador Netinho de Paula (PC do B), candidato derrotado ao Senado. “Já falei com ele, e ele vai participar dessas atividades.”

Menos de 24 horas após o resultado da votação, Mercadante afirmou ter recebido, às 7h30 desta segunda-feira, uma ligação do presidente Lula, que já o cobrava sobre os “encaminhamentos” da mobilização no maior colégio eleitoral do País. “Ele já estava me tirando da cama a 200 km/h”, definiu.

Segundo turno

De acordo com o senador, o partido planeja realizar nesta terça-feira uma reunião com os parlamentares eleitos e com mandatos para definir as estratégias da campanha a partir de agora.

Para o dia seguinte está programada uma reunião mais ampla. Plenárias sindicais, com movimentos populares e de todos os diretórios municipais do PT também estão sendo organizadas. Tudo para que, na sexta, aconteça um ato em São Paulo para o lançamento da campanha de Dilma no segundo turno. No sábado, o partido planeja ainda organizar carreatas por todo o Estado. “Vamos rodar o Estado de novo, vamos para a rua.”

Mercadante minimizou as chances de a disputa pela Presidência ser mais acirrada a partir de agora. Segundo ele, Serra teve em São Paulo “uma votação muito baixa para quem governou o Estado, para um partido que governou 16 anos”.

Para o senador, a agenda colocada pelo candidato tucano, como a promessa de elevar o salário mínimo para R$ 600, não deve influenciar a decisão dos eleitores da classe C. Para ele, a população vai reconhecer a estratégia como “discurso de véspera de eleição”. “Nem em São Paulo ele fez salário mínimo de R$ 600.”

Ele classificou as críticas recebidas pela petista, sobretudo em relação a boatos de que ela defenderia a legalização do aborto, caso eleita, como parte de uma “operação orquestrada, típica” do PSDB. Ele afirmou que a mesma “campanha do medo” foi adotada pelos adversários antes da eleição de Lula. Sobre a questão do aborto, ele disse que Dilma terá tempo para esclarecer sua posição a respeito.
“Com todos os ataques que ele (Serra) fez, quem cresceu foi a Marina. No Estado que ele governou, a votação dele não justifica uma candidatura presidencial.”

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