Mercadante e Alckmin não se enfrentam em debate

Tucano só direcionou perguntas a Feldmann (PV) e a Skaf (PSB); Mercadante vinculou sua imagem à de Lula e Alckmin não citou Serra

Piero Locatelli e Cíntia Acayaba, iG São Paulo |

Faltando pouco mais de 15 dias para as eleições, os dois líderes nas pesquisas de intenção de voto para o governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), não se enfrentaram em debate realizado pela RedeTV! nesta quarta-feira.

Nas duas oportunidades que teve para questionar os candidatos, Alckmin não escolheu Mercadante. Na primeira vez, direcionou a pergunta a Paulo Skaf (PSB) e depois ao ex-tucano Fábio Feldmann (PV), que em outras ocasiões não confrontou suas ideias.  

Mercadante não teve opção de questionar Alckmin, porque o tucano já havia sido escolhido pelos demais candidatos. Visivelmente irritado por não confrontar o líder nas pesquisas de intenção de voto, o petista se queixou na segunda pergunta que direcionou a Paulo Bufalo (PSOL): "Não dá para falar mal na televisão e chegar aqui e não enfrentar o debate. É no debate que a gente cresce".

Mesmo querendo se dirigir a Alckmin, Mercadante perguntou ao candidato socialista sobre o preço dos pedágios no Estado de São Paulo, tema recorrente explorado pela campanha do petista. “Nós temos hoje uma situação em que o abuso de pedágios está prejudicando a população (...) Isso prejudica o desenvolvimento do Estado. Vamos baixar os preços”, afirmou Mercadante.

A revisão do valor cobrado pelas praças de pedágio nas rodovias paulistas também foi abordado em questão feita por jornalista a Geraldo Alckmin. O tucano prometeu que vai revisá-los. Alckmin disse que o modelo paulista de concessão de rodovias foi bem sucedido, mas agora chegou a hora de fazer alguns ajustes. Segundo ele, devem ser revistas praças como a de Jaguariúna e Paulínia.

Palhaço

No terceiro bloco do debate, a jornalista Renata Lo Prete perguntou a Mercadante sobre se havia constrangimento pela presença do palhaço Tiririca, candidato a deputado federal pelo PR, em sua coligação. Os votos de Tiririca devem ajudar a eleger candidatos do PT nas eleições.

Mercadante criticou a candidatura de Tiririca e recomendou que os eleitores votem em "gente séria". “Quando vi a propaganda do PR, eu liguei e falei, olha isso não pode estar acontecendo”, disse. “Se eu pudesse fazer uma recomendação, pediria para votar em gente séria.”

Já Paulo Skaf foi questionado por jornalista sobre o excesso de cavaletes com propaganda sua nas ruas de São Paulo . Segundo Skaf, “essa foi a forma de compensar a dificuldade da aparição na TV e nos principais jornais que esquecem quantos candidatos têm, e acham que são apenas dois”.

Lula

Somente no segundo bloco do debate, Mercadante teve a oportunidade de associar sua imagem à do presidente Lula.

O candidato do PSB, Paulo Skaf, perguntou a Mercadante se ele se considera preparado para chefiar o governo paulista mesmo sem ter tido um cargo no Executivo, apenas passagem pelo Legislativo. O senador petista respondeu que tem 37 anos de militância política e que o "Parlamento é uma ótima escola". Ele sugeriu a Skaf tentar gestão no Legislativo: "Eu acho que inclusive para sua carreira política você deveria ter uma experiência parlamentar".

O petista aproveitou para dizer que Lula não teve cargo Executivo antes de se tornar presidente, mas mesmo assim foi "o melhor". "Muita gente falava que Lula não tinha experiência no Executivo e ele foi o melhor presidente", afirmou Mercadante. 

Skaf chamou Mercadante de "pretensioso" ao se comparar a Lula.  O petista afirmou que em toda sua carreira sempre esteve ao lado do presidente.

Em nenhum momento do debate, Geraldo Alckmin citou o candidato tucano à Presidência da República, José Serra . Mercadante mencionou Dilma Rouseff , postulante do PT à Presidência, nas considerações finais. "Tenho convicção que Dilma será a próxima presidente. São Paulo tem que bater com o coração do Brasil", disse.

Educação

A política educacional paulista, marcada pela progressão automática e pelos bônus concedidos a professores, foi tema direcionado a todos candidatos presentes. Se para o tucano Geraldo Alckmin (PSDB), a progressão continuada dos alunos não é uma "aprovação continuada", para Mercadante o sistema é uma "regressão continuada".

"Progressão continuada não é aprovação automática. O aluno pode repetir todo ano por falta. Se ele não falta, a função da escola não é repetir o aluno, mas ensinar. Está correta a progressão continuada, que deseja ajudar o aluno a continuar na escola", disse o tucano.

"O que nós temos em São Paulo não é uma progressão continuada, mas uma regressão continuada. Os alunos não sabem ler nem escrever", afirmou Mercadante. Ele também criticou os bônus . "São 16 anos do PDSB com 100 mil professores sem carreira."

Para Celso Russomano, candidato do PP, a "progressão continuada faz com que o aluno passe de ano sem aprender" e o bônus incentiva professores a aprovar todos os alunos, mesmo os que não participam das aulas. Skaf também se mostrou contrário à progressão nas escolas. Feldmann disse que a educação precisa melhorar e Bufalo quer acabar com a "aprovação automática".

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