Mercadante diz que PT demorou para dialogar com SP

Candidato ao governo paulista não cita adversários em convenção e promete se inspirar em acertos do governo federal

Matheus Pichonelli, IG São Paulo |

Lançado oficialmente neste sábado como candidato do PT ao governo de São Paulo, o senador Aloizio Mercadante usou o exemplo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dizer que o partido tem hoje “credenciais” para mudar o Estado governado há quase 16 anos pelo PSDB

“O que deu certo com Lula lá vai dar certo com o Mercadante aqui”, disse, repetindo o slogan oficial de sua candidatura.

No palco montado para o evento, que reuniu cerca de 8 mil pessoas num centro de convenções de São Paulo, Mercadante discursou ao lado de Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B), que disputam o Senado, além de lideranças petistas , como Eduardo Suplicy, e dos 11 partidos de sua coligação .

AE
Aloizio Mercadante discursa durante convenção do PT em São Paulo
Boa parte do discurso do candidato foi usada para exaltar o que chamou de conquistas do governo Lula, embora nem o presidente nem a candidata petista à sucessão, Dilma Rousseff (PT), tenham comparecido ao evento. Em referência ao presidente Lula, disse que o governo sobre o qual pairavam “tantas dúvidas” no início conseguiu elaborar “as melhores políticas sociais que este País já viu” e hoje é aprovado por 85% da população.

Numa fala inspirada no famoso discurso do líder Martin Luther King  “I have a dream”, Mercadante disse que há sete anos tem “acordado todos os dias como quem sai de um sonho e descobre, ao se levantar, que era tudo verdade”.

“Eu tinha um sonho e sonhei que ia chegar um dia em que ninguém deixaria de estudar neste País porque é pobre. E vi o presidente que nunca pode entrar na universidade passar para a história como a liderança que mais vagas abriu para trabalhadores poderem estudar”, disse.

Mais à frente, ele reconheceu que o PT demorou a dialogar com o povo de São Paulo – o partido jamais elegeu um governador no Estado – e disse que agora o partido e os paulistas estão agora em sintonia. "Teremos de dialogar com essa população. Estamos mais maduros, mais vividos e mais preparados. Demonstramos isso governando o Brasil".

Em tom mais ameno do que em eventos anteriores, disse desta vez que não iria atacar adversários. Na fala, não citou diretamente os ex-governadores tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, candidatos a presidente e ao governo paulista, mas criticou a situação nas escolas, hospitais, e da segurança no Estado. “Não podemos andar no ritmo da China, mas não podemos andar no ritmo do governo que está aí há 16 anos”, disse.

Aproveitando a presença de Coca Ferraz (PDT), especialista em transportes urbanos da USP e recém-escolhido como vice em sua chapa , ele colocou o tema em seu discurso. Entre suas propostas, citou um projeto de criação de um fundo de aceleração do sistema de transporte e prometeu recuperar a malha ferroviária no interior do Estado. Disse que, se eleito, conseguirá, num prazo de dois anos, levar aos trens da CPTM a mesma qualidade dos vagões do metrô de São Paulo.

Ele prometeu ainda valorizar as carreiras de professor e policiais no Estado – categorias que no último governo em São Paulo foram às ruas e entraram em greve para reivindicar melhorias.

“Vamos aproximar a polícia da comunidade e valorizar os policiais, a exempla da PF hoje no governo Lula”. Afirmou ainda que irá criar uma "guarda de proteção escolar" e instalar câmeras de alta definição para monitorar as escolas.

Durante sua fala, Mercadante homenageou sua geração, que viveu sob a ditadura, lembrou das famílias de militantes perseguidos e desaparecidos, e também os movimentos sociais. Ele terminou o discurso dizendo que vai preparar São Paulo para as Olimpíadas de 2016. “A Olimpíada é no Rio, mas nós que vamos ganhar as medalhas”.

Dilma

Ausente da convenção, Dilma gravou uma mensagem curta para o senador, que foi transmitida durante o evento. Com uma bandeira do Estado ao fundo, ela disse que Mercadante precisa de uma oportunidade assim como teve o presidente Lula, que “sempre esperou para governar o País”. Disse que “precisa” do aliado em São Paulo e de Netinho de Paula e Marta Suplicy no Senado para continuar ajudando a transformar o Brasil.

No testemunho, Dilma disse também que o senador foi um aliado que ajudou a elaborar os principais projetos do governo Lula.

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